Vaivém: Em queda, grãos seguram inflação e afetam produtor

Os produtores brasileiros deverão ter preços bem adversos para os grãos no próximo ano. Uma compensação poderá ser o ajuste do câmbio que se desloca para a faixa de R$ 2,40.

Ruim para o produtor que deverá sentir na pele uma queda de preços dos produtos que vai colher, mas positivo para o controle da inflação, que terá um peso menor do grupo de alimentação na sua composição.

A avaliação é de Paulo Rabello de Castro, da RC Consultores. Ele prevê que a queda de preços dos alimentos abrirá espaço para o governo fazer correções nos grupos de habitação e de transportes.

Esses dois grupos englobam energia e combustíveis, cujos preços estão defasados e necessitarão de correções.

Mauro Zafalon/Folhapress

Silo nos Estados Unidos; estoque de grãos sobe

Silo em fazenda de produtor de soja e de milho nos Estados Unidos; estoque de grãos sobe

O produtor brasileiro terá diante de si um grande dilema, segundo Rabello. Manter o ritmo intenso de produção da safra 2013/14 ou pisar no freio e plantar menos neste período 2014/15.

Se a produção se mantiver no mesmo ritmo do deste ano, quando o Brasil obteve safra recorde, o produtor vai comercializar seus produtos com preços mais deprimidos.

Rabello diz que essa indefinição explica o quão devagar está a comercialização da safra futura. Segundo ele, apenas 11% da soja da safra 2014/15 foi vendida a termo. No mesmo período do ano passado, o produtor já havia comercializado 40% da safra.

O produtor vive esse dilema porque os preços das commodities continuam desabando no mercado internacional, com reflexos fortes, é claro, também no interno.

Dados da RC Consultores apontam que as negociações atuais com a soja indicam uma desvalorização de 38% em relação aos melhores preços obtidos neste ano, em 29 de abril. No caso do milho, a queda é de 36%.

Acompanhamento diário da Folha indica que o primeiro contrato de soja, negociado em Chicago, tem queda de 29% nos últimos 12 meses. O do milho recuou 27%.

Os estoques de milho dos EUA, que já haviam subido 73% na safra 2013/14, deverão subir mais 74% na 2014/15, aponta a RC.

No mercado interno, a pesquisa diária da Folha nas principais regiões produtoras indica que a soja está sendo negociada com 17% de queda em relação aos valores de há um ano. O milho caiu 6%.

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Pausa As exportações de carnes bovina e suína "in natura" perderam ritmo neste mês, em relação a agosto e a setembro do ano passado. As de frango ganharam corpo.

Volume É o que mostram os dados de exportações da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) dos primeiros 15 dias úteis deste mês.

Frango Os exportadores de carne de frango colocaram uma média de 15 mil toneladas por dia útil neste mês, 13% acima do volume enviado há um ano.

Queda 1 Já as vendas de carne bovina recuaram para 4.100 toneladas por dia útil, 23% menos do que em setembro do ano passado.

Queda 2 O embarque de carne suína também perdeu força, caindo para 1.600 toneladas por dia, 16% menos do que em igual mês de 2013.

Preços Se os volumes caem, os preços sobem. Em um ano, a carne suína teve alta de 40% no mercado externo; a bovina subiu 7,5%, e a de frango, 4,6%.

Nova postura O setor de carne bovina deve buscar organização e qualificação de toda a cadeia, devido às exigências técnicas e sanitárias atuais do mercado internacional.

Serviços A recomendação é de Silvia Helena Galvão Miranda, do Cepea. Ela recomenda ainda uma estruturação dos serviços sanitários oficiais para que possam monitorar e orientar o setor privado.

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COMMODITIES

O avanço da colheita nos Estados Unidos continua afetando os preços das commodities agrícolas. Nesta segunda-feira (22), a soja caiu 2% e o milho, 0,4%. Esses dois produtos acumulam quedas de 20% e de 10% no primeiro contrato da Bolsa de Chicago nos últimos 30 dias.

Fonte: Folha

23/09/2014 02h00