Vaivém – Do aço ao tomate, Trump ainda tem um longo caminho

Importações de hortifrútis pelos Estados Unidos atingem US$ 30 bilhões por ano

O presidente Donald Trump acena à frente do Capitólio, em Washington

O presidente Donald Trump acena à frente do Capitólio, em Washington – Saul Loeb/AFP

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começa a colocar em prática o seu America First (os Estados Unidos em primeiro lugar), prometido no período de campanha eleitoral.

A barreira às importações de aço é um dos exemplos mais recentes, assim como a proibição da compra da empresa americana de tecnologia Qualcomm pela Broadcom, de Cingapura.

Vai ser difícil, no entanto, Trump aplicar essa política na agricultura. Grande parte dos alimentos que os americanos compram nos supermercados atualmente é importada, principalmente nos setores de frutas e de vegetais.

Em 2014, os Estados Unidos importaram o correspondente a US$ 109 bilhões no setor de produtos agropecuários. No ano passado, os gastos já estavam em US$ 119 bilhões.

Já as exportações fizeram o caminho inverso no mesmo período. Após terem atingido US$ 152 bilhões, em 2014, recuaram para US$ 140 bilhões.

Além de não cooperar com o seu America First, o presidente dos Estados Unidos atrapalha no setor agropecuário, ao desencadear uma intensa batalha contra os imigrantes.

Estes são a base da produção de hortifrútis naquele país. A falta de mão de obra reduz a produção e provoca aumento dos preços internos, elevando ainda mais as importações.

Isso não ocorre na produção de grãos, onde os próprios produtores atuam diretamente no plantio e na colheita.

Segundo o Usda (Ministério da Agricultura dos Estados Unidos) as importações de frutas e de vegetais frescos e processados chegaram a US$ 30 bilhões no ano passado.

É um mercado em expansão, mas o Brasil ainda participa pouco dele. Os brasileiros são apenas o 26º fornecedor de vegetais para os Estados Unidos e o 16º de frutas frescas.

A agricultura dos Estados Unidos, assim como a do Brasil, se volta cada vez mais para commodities de grande escala, como soja e milho.

Café Os produtores já comercializaram 85% da safra 2017/18. Ou seja, pelo menos 43 milhões de sacas já saíram das mãos do cafeicultor. Os números são da Safras & Mercado, que estimou a safra total do país em 50,5 milhões de sacas.

Pressa As vendas ganharam ritmo nas últimas semanas. Gil Barabach, consultor da Safras, diz que um dos motivos que levaram o produtor a vender café é a previsão de safra recorde neste ano.

Arábica A produção nacional de café na safra 2018/19 deverá atingir 56,8 milhões de sacas, segundo o Rabobank, instituição financeira dedicada ao agronegócio. Desse volume, 41 milhões serão de café arábica.

Preços A curto prazo, a elevada safra brasileira deste ano deverá manter os preços nos patamares atuais. No segundo semestre, porém, poderá haver uma alta, segundo os analistas do banco.

Vaivém das Commodities

Vaivm das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha