Vaivém – Dólar força alta de derivados de commodities para consumidor

Plantação de soja em fazenda do Paraná; alta do dólar ante o real puxa preços do produto para cima

Plantação de soja em fazenda do Paraná; alta do dólar ante o real puxa preços do produto para cima

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Os consumidores estão sentindo no bolso a pressão da desvalorização do real sobre os alimentos. Essa pressão ocorre tanto sobre os produtos exportados como sobre os importados.

Os preços das commodities, cotadas em dólares, caem no exterior. Mas a alta do dólar ante a moeda brasileira é tão intensa que acaba puxando para cima os preços internos, em reais, dessas mercadorias.

Em alguns casos, como no da soja, mesmo com o país sendo líder mundial nas exportações, a pressão ocorre porque o preço do produto é determinado no mercado internacional, e em dólares.

Convertido internamente para reais, o preço registra aceleração, e essa pressão passa para a commodity e, consequentemente, para o produto final, como o óleo de soja.

Em outros produtos, quando o país é dependente de importações da commodity, como o trigo, a alta vem pelos custos maiores nas importações.

A pressão dos derivados de commodities é grande nos últimos seis meses. Dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) apontam –até a terceira quadrissemana deste mês– inflação média de 6%.

Nesse mesmo período, os consumidores paulistanos estão pagando, em média, 17% a mais pelo óleo de soja.

Entram nesse cálculo não apenas a elevação interna dos preços da commodity, mas outros custos de produção, como a energia elétrica.

Os óleos estiveram entre as principais altas do setor no último semestre. Assim como o de soja, o de milho e o de girassol subiram 10% e 14%, respectivamente.

Já o azeite de oliva, devido à dependência externa do país, teve reajuste acumulado de 19% no período.

Os derivados de trigo, produto cuja dependência externa é forte, também estão na lista das maiores pressões. A farinha de trigo ficou 12% mais cara nos últimos seis meses, enquanto o macarrão subiu 13%.

O período dos preços baixos do açúcar também estão terminando. O superavit mundial do produto (oferta maior do que a demanda) que ocorria nos anos recentes mantinha os preços favoráveis para os consumidores.

A partir desta safra, o consumo mundial volta a ser inferior à produção. Recuperação parcial dos preços externos do produto e elevação de custos na produção interna fizeram o açúcar subir 41% para os consumidores nos últimos seis meses.

As estimativas indicam a manutenção desse deficit mundial nos próximos anos, o que deve manter a pressão interna nos preços, principalmente com o dólar no patamar atual.

As carnes bovina e de frango seguiram a inflação nos últimos seis meses, com alta de 6%. Já a suína ficou 9% mais cara.

O peso vem também de feijão e arroz. Nesse caso, a oferta pesa mais do que o dólar. A leguminosa, produto com pouca comercialização mundial, tem ajuste via mercado interno. Quanto menor a oferta, maiores os preços. A alta nos últimos seis meses foi de 19% para os consumidores, segundo a Fipe.

Já o arroz, que também ganhou concorrência externa devido à queda do real, subiu 14% no período.

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Açúcar Após forte aceleração na terça-feira, a commodity manteve o preço em 13,97 centavos de dólar por libra-peso nesta quarta (24) em Nova York. A alta acumulada em sete dias é de 6%.

PIB A taxa voltou a subir em novembro, indicando que o desempenho deverá ser positivo em 2015, segundo acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O que sobe Um dos impulsos do PIB do agronegócio vem do setor agrícola, que teve alta de 0,82% até novembro do ano passado. Já a pecuária caiu 1,36% no período. O PIB médio acumula 0,12% de janeiro a novembro de 2015 em comparação ao mesmo período de 2014.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha