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Vaivém – Consumidor se afasta de lácteos e traz desafio para setor de leite

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Brasil está distante dos líderes no setor de produção de leite

Vacas leiteiras em Ribeirão Preto (SP)

O mercado de leite está estranho. Em plena entressafra, os preços estão em queda desde junho. Pior, os números de agosto também apontam para nova redução.

A palavra-chave para esse cenário é demanda, segundo Natália Salaro Grigol, pesquisadora da área de leite do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Pressionados pela redução de renda, provocada pela crise econômica vivida no país, os consumidores se retraíram. O país está captando mais leite neste ano do que no passado, mas, sem os consumidores finais para o produto, os preços caem.

Para Grigol, indústria, atacado e até varejo estão perdendo margem na comercialização de lácteos. A partir de agora, será a vez de os produtores entrarem nessa lista.

Apesar da queda nos últimos meses, o preço médio do leite de janeiro a julho ainda supera em 10,8% os de igual período do ano passado. Em julho, contudo, a queda foi de 12,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.

A produção de leite, ao contrário do que ocorreu no ano passado, sobe. Nos seis primeiros meses deste ano, o índice de captação do Cepea apontou alta de 22,4% na produção, em relação a janeiro-junho de 2016.

A seca e os elevados custos de produção, principalmente devido às altas do milho e do farelo de soja, provocaram uma queda na produção no ano passado. Com oferta menor de leite, os preços se mantiveram elevados.

"Este será um ano de desafios para o setor", diz Grigol. O clima está mais favorável do que o de 2016, os custos de produção são menores, o gado é mais bem alimentado e, consequentemente, a produção cresce.

O problema é que o consumidor diminuiu a frequência nas prateleiras dos lácteos.

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Menor, mas pesado – O custo variável da produção de algodão será menor do que o previsto em junho. Deve ficar em R$ 8.402 por hectare. Os cálculos são do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Investimento alta – Mesmo com essa queda, os produtores de algodão necessitam de muito capital para a atividade.

Linha de corte – Com a redução de custos, e mantida a produtividade da safra de 2016/17 de 100,8 arrobas por hectare, o produtor precisará vender a arroba do pluma a R$ 83,4 para cobrir os custos de produção.

Ainda custos – Produtores de arroz se reuniram em Porto Alegre nesta terça-feira (22) e chegaram à conclusão de que o custo de produção será o grande desafio na safra 2017/18.

Insumo caro – Estudo de Antonio Da Luz, da Farsul, mostra que os custos de produção entre Brasil e seus parceiros de Mercosul, Uruguai e Argentina têm uma grande disparidade. Citou o exemplo dos inseticidas, que são 445% mais caros para os brasileiros do que para os uruguaios.

Desenfreados – Para Henrique Dornelles, presidente da Federarroz, os problemas da atividade estão realmente nos custos. O preço da saca de arroz está acima do da média histórica, mas os custos desenfreados de alguns itens não permitem remuneração com o cereal, segundo ele.

Pierre Duarte /Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha