Vaivém: Com demanda elevada, preço do etanol deve subir

O mesmo volume de consumo de etanol hidratado de março -1,4 bilhão de litros na região centro-sul- deve ter se repetido em abril e será mantido neste mês. Os números desses dois meses ainda não foram divulgados.

Isso mostra o quanto a demanda por etanol está aquecida neste ano, uma vez que em março do ano passado, o consumo foi de apenas 900 milhões de litros.

Mantido esse ritmo, a demanda pelo álcool hidratado da safra 2014/15 poderá chegar ao final deste ano próxima de 14 bilhões de litros.

Esse volume ficaria perto da estimativa de produção da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) para toda a safra, que é de 16,3 bilhões de litros.

Ao contrário do que ocorreu neste ano, o primeiro trimestre do próximo ano poderá ser de preços mais aquecidos para esse combustível.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica, diz que esse ajustamento entre demanda e produção vai ser resolvido via preços, que vão subir.

Atualmente entre R$ 1,24 a R$ 1,25 por litro para o produtor, o etanol deverá atingir de R$ 1,47 a R$ 1,50 nas usinas. E esse repasse deverá atingir o bolso dos consumidores.

Na avaliação de Padua, o etanol a R$ 1,45 por litro nas usinas ainda tem uma paridade favorável em relação à gasolina.

Ao contrário dos anos anteriores, o setor vive de boa notícias neste ano, segundo Elizabeth Farina, presidente da Unica.

As medidas tomadas -como alteração na Cide (imposto sobre os combustíveis), aumento da mistura de etanol anidro na gasolina e diferenciação tributária em alguns Estados- indicam uma mudança de rumos.

Mas há uma premência para o setor obter um operacional positivo, na média. "Voltar para o azul", diz ela.

As receitas nominais de 2014/15 estão nos mesmos patamares das da safra 2010/11, mas os custos subiram muito nesse período.

Farina afirma que os investimentos no setor não virão apenas porque as usinas têm alguns momentos de recuperação, mas isso só ocorrerá quando as mudanças de rumo forem efetivas e eficazes.

Ela estima que 30% das usinas passam por uma situação delicada e que necessitam de uma renegociação das dívidas.

As estimativas de safra da Unica apontam que no período 2015/16 serão moídas 590 milhões toneladas de cana-de-açúcar.

As usinas vão destinar 58% dessa cana para a produção de etanol, com rendimento atual maior do que o do açúcar.

Já a produção de açúcar recua para 31,8 milhões de toneladas, 0,6% menos do que em 2014/15, enquanto a produção total de etanol sobe para 27,3 bilhões de litros, 4% mais.

O maior crescimento será de álcool hidratado, cuja produção sobe para 16,3 bilhões de litros, 6% mais. Já a safra 2015/16 vai render 10,9 bilhões de litros de etanol anidro, 2% mais do que no período anterior.

Editoria de Arte/Folhapress

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Bioenergia A cogeração de energia exige investimentos de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões para as usinas que começam do zero, diz Antonio Padua Rodrigues, diretor da Unica.

Renovação O setor necessita de uma renovação de 1,5 milhão de hectares de canavial. Os investimentos superam R$ 10 bilhões.

Contraste O clima mais favorável deverá elevar em 5% a produtividade da cana no centro-sul nesta safra. Mas o envelhecimento da cana gera uma produtividade 2% inferior, eliminando parte do ganho com o clima.

Efeito safra A avaliação do mercado de que a oferta de café deverá subir, principalmente com a melhora na produção brasileira, fez o primeiro contrato do produto recuar para US$ 1,28 por libra-peso nesta quinta-feira (21) em Nova York). A queda foi de 5,6% no dia.

Citricultura A recuperação dos preços em 2015/16 e a perspectiva de cenário melhor nos próximos anos podem dar um alívio ao fluxo de caixa dos produtores e um incentivo para reforçarem a eficiência técnica, avalia o Cepea.

Muito a fazer Essa recuperação de preços vem, no entanto, em um momento de aumento dos custos de produção e de incidência de doenças e pragas, o que vai exigir uma boa gestão do produtor, segundo os analistas do Cepea.

Fonte: Folha

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.