Vaivém – Canadá e México são fundamentais para o mercado agrícola dos EUA

Americanos colocam 38% dos produtos de maior valor agregado exportados nos dois países

Contêineres em terminal no porto de Los Angeles

Contêineres em terminal no porto de Los Angeles – Zhao Hanrong – 5.dez.12/Xinhua

Os números da relação comercial dos Estados Unidos com Canadá e México falam mais alto do que a bravura de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na questão do Nafta (acordo comercial criado em 1994 pelos três países). O presidente dos EUA prometeu mudanças significativas nesse acordo, mas elas ainda não ocorreram.

Os dois parceiros dos Estados Unidos são responsáveis pela compra de boa parte do que os americanos exportam, quando considerados os principais produtos agropecuários.

Em 2017, a movimentação comercial entre Estados Unidos e Canadá somou US$ 43 bilhões. Os canadenses importaram o correspondente a US$ 21 bilhões. Já os mexicanos adquiriram produtos no valor de US$ 19 bilhões.

O chineses, com compras totais de US$ 20 bilhões em produtos agropecuários, ficaram entre os dois parceiros do Nafta, conforme dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A relação entre os países participantes do acordo fica ainda mais importante quando comparados os produtos de alto valor agregado. Dos US$ 65 bilhões exportados pelos Estados Unidos, o Canadá ficou com 25%, e o México, com 13%.

A liderança do Canadá no comércio agrícola com os Estados Unidos ocorre por dois motivos, segundo analistas do Usda: proximidade geográfica e similaridade no consumo.

A lista dos produtos de valor agregado inclui frutas e vegetais frescos e processados, carnes e outros alimentos industrializados.

A abertura das fronteiras desses países acelerou muito o comércio entre eles. No final dos anos 1980, os americanos exportavam apenas US$ 1 bilhão de produtos de alto valor agregado por ano para os canadenses. No ano passado, foram US$ 16,3 bilhões.

Mercado de soja começa a olhar para área de plantio nos EUA

O petróleo é sempre a mola propulsora das demais commodities. A alta de 2,2% da matéria-prima nesta terça-feira (20), porém, mexeu pouco com o mercado.

A soja, após queda no início da semana, se manteve em US$ 10,28 por bushel (27,2 quilos) na Bolsa de Chicago.

As recentes chuvas na Argentina indicam que a queda de safra poderá ser freada, ficando no patamar de 42 milhões de toneladas. Se permanecesse a seca, a produção poderia recuar ainda mais. No ano passado foram colhidos 58 milhões de toneladas.

O mercado praticamente já colocou no preço a quebra na Argentina. Além disso, o setor começa a olhar mais para os Estados Unidos, que deverão liberar os dados de plantio neste fim de mês.

As previsões indicam um aumento de 400 mil a 500 mil hectares na área da soja. Ela rouba área do milho, que tem preços menos favoráveis para os produtores.

Vaivém das Commodities

Vaivém das Commodities

Jornalista Mauro Zafalon assina a coluna Vaivém das Commodities. Escreve sobre commodities e pecuária.

Fonte : Folha