Vaivém: Brasil e EUA apontam números com boas safras

O Brasil está praticamente finalizando a colheita de verão e estimando a de inverno. O resultado indica que, pela primeira vez, o país ultrapassará os 200 milhões de toneladas de grãos. Há 14 anos, o Brasil comemorava a chegada aos 100 milhões de toneladas.

Já os Estados Unidos, fechada a safra recorde de 2014/15, fizeram nesta terça-feira (12) a primeira estimativa completa para a safra 2015/16, que está sendo semeada.

Assim como ocorreu no ano passado, a próxima safra voltará a ser gorda. A produção de soja, pelo segundo ano consecutivo, superará os 100 milhões de toneladas.

Após a produção de 108 milhões no ano passado, os norte-americanos colherão 105 milhões neste ano.

Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), que espera avanço de produção no Brasil em 2015/16. A safra de soja renderia 97 milhões de toneladas para o país, enquanto os argentinos ficariam com 57 milhões.

Com tanta previsão de soja no mercado, os preços voltaram a cair nesta terça (12) no Bolsa de Chicago. O primeiro contrato recuou para US$ 9,67 por bushel (27,2 quilos), 1,6% menos do que no dia anterior.

No caso do milho, Brasil e Estados Unidos devem produzir 4% menos na próxima safra. Já a Argentina elevará a produção em 2%.

Apesar dessas quedas, o volume de produção continua elevado, com os norte-americanos atingindo 346 milhões de toneladas; os brasileiros, 75 milhões; e os argentinos, 25 milhões.

Os preços desta terça-feira mostraram a preocupação do mercado com esses volumes. O primeiro contrato do cereal caiu 0,4% na Bolsa de Chicago, para US$ 3,57.

A produção mundial de milho recua para 990 milhões de toneladas, 1% menos do que na safra 2014/15. Já a safra mundial de soja fica estável em 317 milhões de toneladas, segundo o Usda.

Com a repetição de um volume grande de grãos, os preços devem continuar sem chances de alta, o que pode diminuir pressões de custos para indústrias e pressionar menos a inflação dos alimentos no mundo.

Um dos pontos de preocupação para os produtores é que os dados do Usda indicam uma elevação de 43% nos estoques de soja nos Estados Unidos. O volume iria para 13,6 milhões de toneladas em 2015/16.

Mas analistas da AgRural, de Curitiba, apontam que tradicionalmente o Usda subestima o consumo de soja nas projeções iniciais. Ou seja, esse estoque poderá ser menor.

Editoria de Arte/Folhapress

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Boi em queda A indústria frigorífica limitou as compras de gado pronto para abate. O resultado foi uma queda da arroba de boi gordo para R$ 149 em São Paulo, segundo a Informa Economics FNP. Esse é o menor preço desde o fim de março.

Retenção Em algumas regiões do país, a intenção de manter o gado no pasto foi, no entanto, dos próprios produtores, devido à chuva e à melhoria nas condições da pastagem.

Ainda mais O preço da carne bovina voltou a subir para o paulistanos. A evolução média dos últimos 30 dias -até a primeira semana deste mês- foi de 2,72%, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas).

O céu é o limite Peso mesmo para o bolso do consumidor vem da cebola. O produto já acumula alta de 44% em São Paulo, desde o início do ano.

Fonte: Folha

13/05/2015 02h00