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Vaivém – Boicote a empresas da JBS preocupa agricultores

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LAPA, PR, BRASIL, 21-03-2017, 12h00: O ministro da Agricultura Blairo Maggi realiza visita técnica e vistoria na planta do frigorífico SIF 530, da Seara, do grupo JBS. Esta é uma das plantas investigadas na operação Carne Fraca da Polícia Federal, e está com a licença de exportação suspensa. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)

Funcionários em frigorífico da Seara, do grupo JBS, em Lapa (PR)

O efeito pós-delação premiada dos donos da JBS toma um rumo que preocupa muito o campo: o do boicote de produtos.

A possibilidade de aumento do boicote, já iniciado por algumas empresas, provocaria uma interrupção das atividades dos produtores ligados a esse setor.

Só a Seara, uma das empresas da JBS, tem 10 mil produtores integrados —são famílias de agricultores que criam animais para a empresa.

Além disso, a Seara tem outros 70 mil funcionários dentro das unidades de produção.

A transferência das ações comprometedoras de dirigentes de empresas para todo um processo produtivo põe em risco a sobrevivência de empregos e de receitas de municípios, afirma Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Apenas no caso da Seara, pelo menos 100 mil trabalhadores serão afetados, segundo ele.

"O boicote visa os dirigentes, mas pode afetar também as finanças de pelo menos 60 municípios onde a empresa atua."

Turra reconhece, no entanto, que uma série de ações de ajustamento de conduta ética precisa ser feita.

"Muitas delas já estão sendo tomadas", diz.

Além de buscar uma recuperação da imagem do setor, a ABPA desenvolve normas de conduta para o setor com o Ministério da Agricultura. O objetivo é evitar novos casos de desvio de conduta no setor, segundo o presidente da entidade.

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Conab reavalia safra para cima

A produção nacional de grãos poderá atingir 234,3 milhões de toneladas no período 2016/17. Se confirmado, esse volume superará em 26% o de 2015/16.

O grande avanço da safra se deve a um aumento da produtividade, uma vez que a área de cultivo teve expansão de apenas 3,7%.

Após a quebra de produção no ano passado, devido a condições climáticas desfavoráveis, a produtividade dos dois principais produtos do país —soja e milho— teve grande evolução neste ano.

A soja, cuja safra já está praticamente finalizada, teve um aumento de produtividade de 17%. Já o milho da segunda safra, chamada de safrinha e mais importante do que a primeira, teve evolução de 39%.

O aumento de produtividade desses dois produtos foi o responsável pelo recorde nacional de produção.

Os dados divulgados nesta quinta-feira (8) pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) indicam um volume de 114 milhões de toneladas de soja e de 94 milhões de milho.

Algumas consultorias privadas apontam um volume de produção de milho bem maior do que o da Conab: acima de 100 milhões de toneladas.

Estoques

A supersafra deste ano garante uma melhora no abastecimento de alimentos no país.

O estoque de arroz, após ter caído para apenas 431 mil toneladas no ano passado, deverá terminar a safra atual em 1,1 milhão de toneladas.

Melhora também o de feijão, que deve subir para 257 mil toneladas. Ao término da safra passada, estava em 186 mil.

A Conab prevê, ainda, um aumento nos estoques finais de trigo, que subiriam para 2,6 milhões de toneladas nesta safra. Há dois anos estavam em apenas 809 mil toneladas.

Pedro Ladeira /Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha