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Vaivém – Barreiras externas à carne do Brasil devem ter fôlego curto

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Frigorífico no Brasil

Frigorífico no Brasil

A Operação Carne Fraca já provocou um desastre sobre a imagem das carnes do Brasil. Deu, aliás, muita munição para os concorrentes do país. Essa crise, porém, deverá ter vida bem mais curta do que as anteriores.

A presença do país no exterior é tão importante que, apesar das reações iniciais, os países importadores não têm muito poder de manobra na compra de proteínas fora do mercado brasileiro.

È claro que os importadores vão utilizar lupas ainda mais potentes para verificar a qualidade do produto do Brasil. E a indústria brasileira não pode errar daqui para a frente. Não é preciso apenas dizer que tem qualidade, mas terá de provar e manter essa qualidade.

Por que a pressão dos importadores pode não durar tanto? Primeiro, a demanda internacional por proteínas está elevada. Prova disso é a intensa aceleração dos preços externos.

As exportações brasileiras de carne suína estão sendo feitas com valorização de 41% em relação às de igual período do ano passado.

FRANGO

O mercado externo tem, também, uma pressão no setor de avicultura. Os preços atuais recebidos pelas empresas brasileiras exportadoras são 21% superiores aos de março do ano passado.

A pressão é menor na carne bovina, mas os preços atuais superam em 10% os de há um ano. Os dados foram divulgados pela Secex nesta segunda-feira (20).

Outro fator que deverá dar sustentação à demanda pela carne brasileira são os problemas sanitários que ocorrem pelo mundo.

Grandes mercados, que vão da exigente União Europeia a Estados Unidos e China, deparam-se com doenças recorrentes nos setores de avicultura e de suinocultura.

A grande diferença entre a situação do Brasil e a desses países é que, por lá, as doenças afetam a produção e provocam a necessidade de abate de rebanhos.

No Brasil, o problema é pontual e depende de ajustes na fiscalização. O país tem, porém, de provar aos importadores que os problemas internos foram regularizados.

BOVINOS

O Brasil continua sendo o principal fornecedor mundial de carne bovina. Mas a presença forte do país no fornecimento dessa proteína nos anos recentes pode diminuir nos próximos.

O rebanho dos Estados Unidos e o da Argentina, grandes concorrentes do Brasil, recompõem-se. Mas eles deverão participar mais efetivamente do mercado mundial só em alguns anos.

O rebanho dos Estados Unidos, que, em 2014, era de 88 milhões de cabeças, deverá atingir pelo menos 93 milhões neste ano.

Os argentinos, com a mudança de governo e a redução das amaras governamentais sobre o setor, provavelmente conseguirão elevar o rebanho para 54 milhões de cabeças de gado neste ano. Em 2012, eram 49 milhões.

EXPORTAÇÕES

Os dados de exportações das três primeiras semanas deste mês indicam alta nas vendas de carnes suína e bovina "in natura" do Brasil, em relação a fevereiro. As exportações de frango caem, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

PARTICIPAÇÃO

A comercialização mundial de carne de frango é de 11 milhões de toneladas por ano, segundo dados do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

PARTICIPAÇÃO 2

O Brasil participa com 38% desse volume mundial. Já a presença da carne suína brasileira no mercado internacional fica próxima de 10%, segundo o órgão dos Estados Unidos.

PARTICIPAÇÃO 3

O Brasil tem grande importância também no setor de carne bovina. A comercialização mundial desse produto atinge 9,4 milhões de toneladas, sendo que 20% desse produto sai do Brasil.

VENDAS

A comercialização de soja perdeu ritmo. Dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) indicam que 62% da safra 2016/17 foram vendidos. É o menor percentual nos meses de fevereiro desde 2009.

PRODUTIVIDADE

Os dados desta semana do Imea apontam para uma safra de 31 milhões de toneladas de soja no Estado de Mato Grosso. Já a produtividade será de 55,1 sacas por hectare, aponta o instituto.

Edson Silva/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha