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Vaivém – Após recorde, valor de produção pode ter menor patamar em cinco anos

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CANARANA, MT, 04.04.2017: AGRICULTURA-MT - Colheita de soja em Canarana (MT). (Foto: Mauro Zafalon/Folhapress)

Colheita de soja em Canarana (MT)

Após o recorde de 2017, o valor da produção agropecuária nacional poderá recuar para o menor patamar em cinco anos em 2018.

As estimativas iniciais da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura indicam receitas de R$ 521,7 bilhões neste ano, 3,4% menos do que os R$ 540,3 bilhões de 2017.

O recuo do VBP (valor Bruto da Produção) deverá ocorrer porque as condições climáticas e a produtividade favoráveis do ano passado não deverão se confirmar neste.

A queda poderá ser suavizada, no entanto, por aumento de área em alguns produtos e recuperação de preços em outros.

Um dos destaques deste ano será a soja, conforme mostra pesquisa de José Garcia Gasques, coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola. A área subiu para 35 milhões de hectares, o que garante patamares de produção próximos aos de 2017.

Além disso, a demanda mundial pela soja brasileira tem crescimento constante. No ano passado, o país colocou 68 milhões de toneladas no exterior. Número que deverá ser repetido neste ano.

A estimativa de Gasques para a soja é de uma valor bruto de R$ 120,3 bilhões, 1,4% mais do que em 2017.

O levantamento de VBP feito pelo Ministério da Agricultura engloba 25 produtos, ficando de fora o fumo. Desta lista, 12 tiveram alta em 2017. Neste ano, se as estimativas da Secretaria de Política Agrícola se confirmarem, serão 10.

As lavouras, devido à supersafra de 241 milhões de toneladas apontadas pelo IBGE, tiveram um VBP de R$ 364,6 bilhões, 4,2% mais do que em 2016. Para este ano, porém, está previsto um recuo para R$ 346,5 bilhões, 5% menos.

Já a pecuária tem um desempenho melhor em 2018. Após uma queda de 4,1% no ano passado, o valor de produção deste ano fica estável em R$ 175,2 bilhões.

O mau desempenho da pecuária em 2017 ocorreu devido às operações da Polícia Federal no setor.

Houve um travamento das vendas internas no primeiro semestre, provocando redução de preços. Além disso, as exportações de carnes também foram afetadas durante vários meses.

Para 2018, a demanda interna poderá melhorar, devido a uma retomada da economia. A externa, aquecida, também poderá ajudar.

No setor de lavouras, o algodão volta a ter um VBP recorde, atingindo R$ 21,8 bilhões, quase o dobro do que vinha registrando em anos anteriores. O café também se recupera, somando R$ 22,8 bilhões.

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China encolhe… – As exportações de carne suína da União Europeia para a China caíram 27% no ano passado, em relação a 2016. De janeiro a novembro, os europeus colocaram apenas 1,28 milhão de toneladas no mercado chinês.

…e Rússia não volta – Os russos eram os preferidos dos europeus nas exportações de carne suína até a crise da Ucrânia, em 2014. A partir dela, a Rússia fechou as portas para a União Europeia e não consta mais da lista dos principais importadores.

Mauro Zafalon – Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha