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Vaivém: Aos 90 anos, cooperativa Batavo quer avanço na produção

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Se parar de crescer, alguém ocupa o lugar. É com essa visão que a Batavo Cooperativa Agroindustrial quer estimular o crescimento da produção de leite nas propriedades de seus cooperados.

Localizada em uma das principais bacias leiteiras do país, na região de Campos Gerais do Paraná, a cooperativa consegue um crescimento anual de 8% a 10% na produção.

Com raízes na colonização holandesa, a região tem vocação para o leite, segundo Mauro Sergio Souza, gerente de pecuária da Batavo.

Na avaliação dele, os desafios hoje são reduzir custos de produção, preservar a qualidade do leite e elevar a produtividade.

Para que isso seja possível, a cooperativa incentiva a formação de condomínios de pequenos produtores, que poderão obter mais conhecimento, novas tecnologias e reduzir custos, devido ao aumento de escala. Alguns desses condomínios já atingem a produção de 40 mil litros por dia.

Souza diz que é preciso crescer, mas de forma pensada. A produção tem de ser a mais homogênea possível, com avanços nos períodos de demanda maior e redução nos de baixa procura. "É preciso um equilíbrio interno, respeitando a sazonalidade do consumo."

A vantagem do produtor é que a Batavo, junto com as associadas Castrolanda e Capal, faz uma verticalização do processo produtivo, dando vazão à produção de leite.

Juntas, as três cooperativas recebem 1,5 milhão de litros por dia.

Na busca desse "crescimento provocativo", a tecnologia é importante, na visão de Souza. A Batavo dispõe de catálogo de touros para a escolha do sêmen, tem uma fazenda de recria das novilhas para os pecuaristas e até promove uma feira -a Expofrísia- para que os produtores tenham maior conhecimento da genética, segundo o gerente de pecuária da cooperativa.

Os próximos passos são o fornecimento de uma alimentação balanceada produzida pela própria Batavo. Souza entende que o produtor terá menos custos e um leite de maior qualidade.

Além disso, áreas hoje ocupadas para a produção de insumos para a ração (como milho) poderão ser utilizadas pela pecuária.

O leite tem rentabilidade, mas os custos estão subindo muito, principalmente os com energia elétrica, combustíveis e mão de obra, afirma Souza.

"Não se paga abaixo do custo médio de produção", diz Souza. Os produtores mais eficientes e mais próximos dos locais de entrega conseguem margem de até 30%. Já os que estão mais longe, e menos favorecidos, têm margem menor, afirma.

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Pressão menor Após ter atingido o pico do ano em fevereiro, com variação de 6,5% no acumulado de 12 meses, os preços no atacado de produtos agropecuários recuaram para 1,2% em maio.

Forte queda O recuo se deve à desaceleração de 1,51% nos preços deste mês. Soja, milho e farelo de soja estiveram entre as quedas. Já leite e tomate subiram, segundo pesquisa do IGP-M.

Suco O primeiro contrato de suco de laranja teve elevação de 3,45% nesta quinta-feira (28) na Bolsa de commodities de Nova York. Parte dos pomares da Flórida está sendo afetada por seca.

Preços Os produtores norte-americanos receberam 2% mais pelos produtos agropecuários no mês passado, em relação a março. Apesar dessa recuperação, os valores atuais ainda são 9,6% inferiores aos de abril de 2014, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA.

Fonte: Folha |

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

29/05/2015 02h00