Uso adequado do solo volta a ser tema de campanhas

 

Edemar Valdir Streck será homenageado na categoria Preservação Ambiental

Chuvas intensas colocam a erosão no centro do debate, diz Streck

Chuvas intensas colocam a erosão no centro do debate, diz Streck

O ano de 2015 foi instituído pela ONU como Ano Internacional de Conservação do Solo, com o intuito de promover a reflexão sobre as atuais formas de manejo e produção de alimentos. O retorno do fenômeno El Niño, e consequentemente o aumento de chuvas e da erosão, retomou a preocupação de entidades gaúchas a respeito do uso adequado do solo no Estado. "Até pouco tempo, acreditava-se que o plantio direto havia resolvido o problema de erosão no Rio Grande do Sul. Com as chuvas intensas, a erosão ficou em evidência novamente", afirma Edemar Valdir Streck, assistente técnico estadual em Recursos Naturais da Emater/RS. A conclusão resulta de estudos que vêm sendo realizados há algum tempo pela entidade, que atualmente promove campanhas e ações educativas junto aos municípios gaúchos. O trabalho, coordenado por Streck, tem como objetivo melhorar o uso e a produtividade dos solos, contribuindo também para a conservação da água.

De acordo com o técnico, quando realizada corretamente, a semeadura direta aumenta a cobertura por resíduos culturais e diminui a exposição da terra aos processos do erosão. O que tem acontecido, no entanto, é que o sistema de plantio direto não vem sendo implantado de forma correta, o que prejudica a conservação física e química do solo, além de impactar a preservação da água. Um exemplo é o da soja, que tem se expandido por áreas irregulares, como em solos íngremes e arenosos. "Essas regiões ficam mais suscetíveis a degradações, porque o sistema de plantio utilizado nelas é o mesmo usado em solos mais profundos", aponta o técnico.

Diante desse cenário, diversos órgãos vêm atuando a fim de conscientizar outras entidades e os próprios agricultores sobre as vantagens do uso adequado do solo. A região de Santa Rosa, por exemplo, recebe atualmente a "Campanha de uso, manejo e conservação do solo", promovida pela Emater. "Estamos trabalhando em cooperação com a associação dos municípios, cooperativas e sindicatos", explica Streck, que aponta que a iniciativa pode tornar-se referência para outras regiões do Rio Grande do Sul.

Entre as principais soluções difundidas pela campanha está a rotação de culturas. Uma alternativa, por exemplo, seria o plantio de nabo forrageiro nas regiões dominadas por plantações de soja e trigo – a primeira é colhida no mês de março, enquanto o segundo é plantado no mês de junho, o que deixa a terra descoberta por aproximadamente 100 dias. "O nabo tem se mostrado uma excelente cultura para preencher esse período e aumentar a produção de resíduos culturais, além de prolongar o tempo de escoamento da água e de ampliar também a renda dos produtores", analisa Streck. A retomada da semeadura transversal ao declive e a construção de sistemas de terraceamento e de barreiras para a contenção de enxurradas também vêm sendo incentivadas. As medidas contribuem para a retenção de água e de nutrientes no solo.

Fonte : Jornal do Comércio