Usinas carregam mais estoque de açúcar

Já de olho no bom retorno que estocar etanol para vender na entressafra tende a trazer, as usinas e tradings brasileiras também estão reforçando a estratégia de carregar estoques de açúcar. Muitas companhias que teriam de entregar a commodity em outubro estão rolando contratos futuros na bolsa para realizar a entrega apenas em março do ano que vem.

O ganho com esse adiamento, que atingiu 13% há cerca de três semanas, atualmente está em 9%, segundo Bruno Lima, consultor da FCStone. "Ainda assim, é uma boa rentabilidade, visto que é 9% com todos os custos cobertos", afirma.

A diferença de preço (spread) entre o contrato com vencimento em outubro deste ano e o de março de 2015 na bolsa de Nova York está em níveis altos, na cada dos 229 pontos, os maiores desde junho de 2008 – na sexta-feira, os papéis para outubro fecharam a 13,78 centavos de dólar por libra-peso e os com vencimento em março, a 16,32 centavos.

Mas, segundo Lima, o retorno dessa operação de "rolagem" caiu de 13% para 9% nas últimas semanas justamente porque muitas usinas fizeram essa operação, o que reduziu a disponibilidade de açúcar do Brasil para embarcar no próximo mês.

Com isso, o prêmio para os exportadores de açúcar bruto do Brasil entregarem em outubro, que há três semanas era negativo em 60 pontos, esteve na semana passada positivo em 65 pontos, um "incentivo" de quase 130 pontos, disse o especialista da FCStone. Enquanto isso, o prêmio para entrega em março do ano que vem ficou negativo em cerca de 40 pontos.

As companhias que produzem açúcar e têm capital aberto na BM&FBovespa já vêm há algum tempo sinalizando essa estratégia de estocar mais açúcar. No resultado do primeiro trimestre da safra 2014/15 – entre os meses de abril e junho -, o grupo São Martinho, por exemplo, apresentava um estoque de 153 mil toneladas da commodity, 113% mais que em igual período de 2013/14.

As usinas da Raízen, controladas por Cosan e Shell, também apresentaram no primeiro trimestre da safra estoques de açúcar 83,5% mais elevados, na casa de 800 mil toneladas. No caso da Tereos Internacional, que controla as usinas da Guarani, os estoques nesse mesmo intervalo subiram 27%, para 248 mil toneladas. Já a Biosev, segunda maior companhia sucroalcooleira do país, também mostrava ao fim do primeiro trimestre da temporada 2014/15 um estoque do produto 77,1% maior, de 238 mil toneladas.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo