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USDA prevê oferta elevada de grãos em 2017/18

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No que depender das primeiras projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a oferta e a demanda mundiais de grãos na safra 2017/18, que está em fase de plantio no Hemisfério Norte, é difícil imaginar que as cotações internacionais de milho, trigo e soja deixarão de oscilar em torno dos atuais eixos durante o ciclo.

Apesar de algumas previsões divulgadas ontem pelo órgão americano representarem variações expressivas de volume em termos absolutos, as produções previstas continuam em patamares considerados confortáveis para atender, sem crises, ao que se espera do consumo, como em 2016/17. A possível ocorrência do fenômeno El Niño ainda poderá causar surpresas e prejudicar lavouras, sobretudo no Hemisfério Sul, mas se isso não acontecer os chamados "fundamentos" tendem a permanecer comportados.

Grão mais produzido no planeta, o milho teve sua colheita global em 2017/18 projetada pelo USDA em 1,034 bilhão de toneladas, 3% menos que na safra 2016/17. O órgão prevê alta de 0,8%, para a demanda, que poderá chegar a 1,062 bilhão de toneladas, e, assim, os estoques finais deverão cair 12,8%, para 195,27 milhões de toneladas. Esses estoques equivalem a 18,4% da demanda, abaixo de 2015/16 (21,3%) e de 2015/16 (22%). Segundo maior exportador de milho do mundo, o Brasil tem uma ampla oferta à disposição para brigar por essa demanda.

Apesar da queda, que é relevante, os estoques ainda representam um colchão macio o suficiente para, segundo o USDA, os preços pagos aos produtores americanos de milho variarem de US$ 3 a US$ 3,80 por bushel ao longo da temporada – que, "oficialmente", terá início em setembro -, mesma faixa de 2016/17. Ontem, na bolsa de Chicago, a queda prevista para os estoques predominou e os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 3,7375 por bushel, alta de 7,25 cents em relação à véspera.

Para o trigo, o USDA previu produção mundial de 737,83 milhões de toneladas no ciclo 2017/18, 2% menos que em 2016/17, e demanda global de 734,89 milhões de toneladas, 0,7% menor na mesma comparação. Os estoques finais foram calculados em 258,29 milhões de toneladas, 1,2% superiores e equivalentes a 35,1% da demanda, ante percentual de 34,5% em 2016/17. A oferta pode até estar mal distribuída – o Brasil é grande importador do cereal -, mas o fato é que há trigo de sobra.

Mesmo com fortes quedas previstas para a colheita e para os estoques dos EUA, o USDA prevê que os preços pagos aos produtores americanos ficarão entre US$ 3,85 e US$ 4,65 por bushel em 2017/18, uma redução média de US$ 0,35 na comparação com 2017/16. Ontem, em Chicago, os contratos com vencimento em subiram 2,25 centavos de dólar, impulsionados pela expectativa de queda da oferta vinda das Grandes Planícies, e encerraram a sessão a US$ 4,3175 por bushel.

Para a soja, carro-chefe do agronegócio no Brasil, segundo maior produtor e principal exportador, o USDA projetou produção mundial de 344,68 milhões de toneladas em 2017/18, 1% menor que em 2016/17, e aumento de 3,9% na demanda, para 344,21 milhões. Segundo o órgão, os estoque finais no novo ciclo ficarão em 88,81 milhões de toneladas, com queda de 1,5%. Esses estoques representam 25,8% da demanda, abaixo do percentual de 2016/17 (27,2%) mas acima de 2015/16 (24,5%).

Dada a robustez dos estoques, o USDA prevê que os preços pagos aos produtores americanos do grão oscilarão entre US$ 8,30 e US$ 10,30 por bushel durante o ciclo 2017/18, ante a média de US$ 9,55 de 2016/17. Ontem, em Chicago, os contratos com vencimento em julho fecharam a US$ 9,7025 por bushel, em baixa de 3,75 centavos sobre a véspera.

Em boa medida, o cenário da soja não é mais pessimista graças ao aumento previsto para as importações da China. Conforme o USDA, as compras do país no exterior chegarão a 93 milhões de toneladas, acima das exportações brasileiras (63,5 milhões). E essa estimativa, 4 milhões de toneladas superior ao volume de 2016/17, encontra eco em projeções divulgadas também ontem pelo Ministério da Agricultura da China, que sinalizaram 93,2 milhões.

Por Fernando Lopes, Luiz Henrique Mendes, Fernanda Pressinott e Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor