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União Europeia reforça controle a produto brasileiro

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A União Europeia (UE) está reforçando o controle sobre 100% dos carregamentos de carne brasileira que chegam à Europa – ou seja, as cargas provenientes dos 260 estabelecimentos autorizados a exportar para o mercado comum europeu, e não apenas dos 21 investigados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Fraca.

Um porta-voz da Comissão Europeia informou que um consenso foi alcançado entre os países-membros da UE sobre como esses controles serão reforçados e o que deve estar mais no foco durante reunião, ontem, do Comitê Permanente de Vegetais, Animais e Gêneros Alimentícios e Alimentos para Animais (Comitê PAFF).

Sobretudo, foi confirmado o monitoramento físico de 100% dos carregamentos de importação para a União Europeia – 20% no caso de checagem microbiológica. Os procedimentos sobre os passos a serem dados em casos de resultados desfavoráveis também foram esclarecidos. Pela legislação europeia, todo carregamento de carne importada do Brasil, assim, será sistematicamente submetida a controle veterinário nos postos de fronteira.

Segundo o porta-voz, em circunstâncias normais qualquer resultado desfavorável no controle deflagra um mecanismo imediato e automático que submete toda a carga do mesmo produto a um monitoramento ainda mais duro. Nesse caso, a UE também alerta todos os países-membros e o país de origem.

O fato de o Comitê PAFF ter decidido tomar apenas uma orientação técnica é positivo, quando se considera a enorme pressão de alguns países para terem a carne brasileira suspensa por algum tempo.

Hoje, em Brasília, técnicos do Ministério da Agricultura e da divisão de saúde da Comissão Europeia se reúnem para entrar em detalhes sobre medidas corretivas que o Brasil vem adotando no sistema sanitário. Na próxima segunda-feira, haverá reunião do Conselho de Agricultura da UE, com os ministros dos 28 países-membros do bloco, e a pressão sobre a carne brasileira será mantida.

O comissário europeu para Saúde e Vigilância Sanitária da UE, Vytenis Andriukaitis, disse, ontem em Brasília, que vai aguardar até o fim desta semana o governo brasileiro responder a todos os questionamentos técnicos feitos pela Comissão Europeia em relação à Operação Carne Fraca. Ele não descartou que os países-membros do bloco adotem medidas adicionais de controle sanitário em relação aos alimentos produzidos no Brasil.

Andriukaitis, que participou de evento organizado pela UE em Brasília sobre resistência antimicrobiana, voltou a dizer que o Brasil precisa restaurar a confiança e a credibilidade em relação à carne que produz e que o seu sistema de controle sanitário precisa ser "previsível". Ele reafirmou que a próxima etapa é discutir no bloco procedimentos em relação ao Brasil e também enviar auditores ao país para inspeções em plantas industriais.

A vinda do comissário para o evento sobre resistência antimicrobiana já estava programada antes da Operação Carne Fraca. Sobre o tema do encontro, ele disse que a União Europeia está discutindo um plano de medidas para restringir o uso de antibióticos na criação de animais, como forma de evitar riscos à saúde humana. A ideia, afirmou, é que no futuro a Europa endureça essas restrições como parte de acordos comerciais.

Por Assis Moreira e Cristiano Zaia | De Genebra e Brasília

Fonte : Valor