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União entre DuPont e Dow é aprovada na UE

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Virginia Mayo/AP

"Essa é literalmente uma questão que envolve o pão nosso de cada dia", afirmou a comissária Margrethe Vestager

A Comissão Europeia deu ontem seu aval para a fusão de US$ 145 bilhões entre as americanas Dow Chemical e a DuPont, um dos três meganegócios que poderão reformular a indústria global de agroquímicos.

As duas empresas concordaram em vender partes substanciais de seus negócios para obter o sinal verdade das agências reguladoras da União Europeia, que temiam que a união pudesse limitar a inovação na área de defensivos agrícolas. Sem essas vendas, a companhia resultante da fusão seria poderosa demais nesse mercado, o que poderia reduzir o incentivo para o desenvolvimento de novos produtos. Cerca de metade dos negócios da DuPont com defensivos serão vendidos, junto com duas unidades de fabricação de produtos petroquímicos da Dow.

A fusão entre as americanas deverá levar a uma economia anual de custos de US$ 3 bilhões e também a demissões, que não foram especificadas no atual estágio do negócio. O valor de mercado das duas empresas aumentou de US$ 130 bilhões para US$ 145 bilhões desde que a transação foi anunciada, em dezembro.

Mas foi só a primeira das três grandes fusões que dependem da aprovação na UE de Margrethe Vestager, comissária de proteção à concorrência do bloco, e que, juntas, estão avaliadas em cerca de US$ 250 bilhões. A compra da suíça Syngenta pela ChemChina, por US$ 43 bilhões – a maior transação internacional já feita por uma empresa chinesa -, deverá ser aprovada por Vestager nos próximos dias, e a terceira operação, que é a compra da americana Monsanto pela alemã Bayer, por US$ 66 bilhões, deverá passar pelo mesmo processo no início em abril. A comissária confirmou ontem que levará em consideração no julgamento desses dois últimos negócios o mercado já mais concentrado em decorrência da fusão entre Dow e DuPont.

A aprovação de ontem saiu apesar de receios de políticos e de alguns grupos de defesa do consumidor, que temem o aumento da concentração na área. "Essa é literalmente uma questão que envolve o pão nosso de cada dia", disse Vestager. Os defensivos são uma questão importante para agricultores, consumidores e a natureza. E a competição efetiva também é importante, de modo que, segundo ela, as companhias "desenvolvem produtos cada vez mais seguros para as pessoas e melhores para o meio ambiente".

No entanto, o grupo de defesa do ambiente Friends of the Earth classificou a fusão como um casamento "feito no inferno", e disse que a decisão dá "às corporações gigantes um domínio ainda mais tóxico sobre nossos alimentos e o campo". O grupo pediu à Comissão Europeia que rejeite as duas outras uniões. Já os agricultores europeus receberam a aprovação da fusão com um otimismo cauteloso. Eles dividem suas preocupações entre o aumento do poder da companhia e o tempo e custos necessários para a aprovação de novos produtos na Europa.

"Os agricultores europeus têm preocupações com essas fusões em termos de competição, mas elas são superadas pela necessidade que temos de instrumentos novos e melhores de proteção às culturas, que tenham impactos menores", disse Robert de Graeff da European Landowners Organisation.

A aprovação da autoridade europeia é "um passo significativo para a conclusão da fusão", disse ontem um comunicado conjunto à imprensa divulgado por Dow e DuPont. As autoridades reguladoras de EUA, China e Brasil ainda estão analisando o negócio, mas a aprovação da UE foi um marco no cumprimento das exigências para que a transação seja concluída antes de julho.

Fontes a par dos processos afirmaram que as múltis americanas tentam agora encontrar um comprador para os ativos que terão de ser vendidos, o que poderá atrasar a conclusão. A fusão vai combinar a Dow com a DuPont e depois três companhias, voltadas para setores mais específicos, serão desmembradas do grupo: uma para materiais, a segunda para químicos e produtos especiais, e a terceira para sementes e defensivos. (Tradução de Sabino Ahumada)

Por Rochelle Toplensky | Financial Times, de Bruxelas

Fonte : Valor