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Unica acredita que 2015 será mais favorável para o etanol

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A associação que representa as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul (Unica) revisou ontem para cima seus números para a safra 2014/15 e previu que a próxima temporada, a 2015/16, tende a ser do mesmo tamanho da atual. Diferente, no entanto, deve ser a remuneração para o etanol, na avaliação do diretor-técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues. As mudanças tributárias favoráveis ao biocombustível ocorridas em importantes Estados consumidores e a provável elevação da mistura na gasolina são as apostas do setor para um ciclo mais positivo no ano que vem.

Após um longo período de estiagem, que teve seu pico em agosto, os canaviais de algumas regiões produtoras de São Paulo se recuperaram com a ocorrência de algumas chuvas. Assim, ontem a Unica revisou para cima a projeção para moagem – de 545 milhões de toneladas estimadas em agosto para 567 milhões de toneladas. O acréscimo significou uma produção de açúcar cerca de 600 mil toneladas maior do que o projetado anteriormente e uma produção de etanol 1,8 bilhão de litros superior.

Mas, já houve no último trimestre deste ano uma recuperação do consumo de etanol no Brasil, e as perspectivas são de que a demanda aumente em 2015. A participação do etanol no mercado de combustíveis do país do ciclo Otto (etanol e gasolina) deve atingir 38,1% no ano de 2014 (janeiro a dezembro), um aumento de 0,7 ponto percentual em relação aos 37,4% de 2013, nas projeções da Unica. O recorde de participação do etanol foi em 2009, quando essa participação chegou a 50%.

"O market share do biocombustível no Brasil cresceu neste ano porque a produção foi maior e as exportações diminuíram", afirmou Rodrigues. O crescimento na participação se deu, principalmente, pelo avanço do anidro, que é misturado à gasolina. Rodrigues acrescentou que o market share do anidro aumentou de 19,5% em 2013 para 21% este ano. "Esse avanço ocorreu por causa do aumento da mistura de anidro na gasolina para 25% a partir de maio deste ano".

Para 2015, o grande potencial de aumento de consumo está no Estado de Minas Gerais que, recentemente aprovou um aumento do ICMS da gasolina e uma redução na alíquota do etanol hidratado. Com isso, o diferencial tributário entre os dois combustíveis em Minas Gerais passa a ser o maior do país: 15 pontos percentuais. Até então, o Estado de São Paulo tinha o maior diferencial (13 pontos percentuais), com o hidratado sendo tributado no Estado em 12%, e a gasolina, em 25%.

"Goiás também vai buscar o mesmo caminho. Essas tributações estaduais estão mudando a estrutura do mercado", afirmou a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

Somente em Minas Gerais, espera-se um aumento do consumo de 750 milhões de litros anuais de hidratado. Indiretamente, beneficiam-se também os Estados vizinhos, como São Paulo e Goiás, para onde Minas Gerais escoa seus volumes excedentes do produto. "O cenário de preços para o etanol tende a ser diferente em 2015, o que vai também ajudar a enxugar o mercado de açúcar", afirma Rodrigues.

A notícia pode ser boa para as usinas que sobreviverem até lá. A forte crise que se arrasta no setor desde 2008 já significou o fechamento de 80 usinas no Brasil e a entrada de 67 delas em recuperação judicial. O diretor técnico da entidade estima que nove usinas podem não retomar a moagem em 2015/16. "São unidades que já estão com problemas sérios de endividamento, agora tiveram nova quebra de safra por causa da estiagem e não têm mais produto para vender (etanol ou açúcar) até março do ano que vem", afirmou.

O efeito da queda das cotações internacionais do petróleo para o mercado de etanol ainda é uma incógnita. A presidente da Unica disse que esse impacto vai depender muito de como o governo brasileiro vai se posicionar em relação às políticas macroeconômicas. "A Petrobras vai investir no oré-sal com o petróleo a esse preço? O governo federal vai fechar as contas públicas sem a volta da Cide na gasolina?", questiona.

O horizonte mais positivo para o biocombustível não deve se repetir, no entanto, para a bioeletricidade. A redução pela metade do teto do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que serve como referência para o mercado livre de energia, tende a reduzir a produção adicional de energia a partir de biomassa das usinas de cana do país.

A Unica estimou que em torno de 2 mil gigawatts/hora (GWh) deixarão de ser produzidos em 2015 devido ao menor incentivo financeiro. Esse volume representa cerca de 10% da produção de energia de biomassa prevista para 2014 (em torno de 20 mil GWh). O teto do PLD foi reduzido pelo governo a R$ 388 o megawatt/hora (MWh), ante o valor de R$ 861 o MWh previsto para 2015.

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo