Uma conquista dos gaúchos

A conquista do status de Zona Livre da Peste Suína Clássica, oficializada na assembleia anual da Organização Mundial de Saúde Animal, na quarta-feira, premia os esforços desenvolvidos pela Defesa Sanitária Gaúcha nos últimos 10 anos, reafirma a importância do trabalho cooperativo entre os governos e a iniciativa privada, e posiciona a suinocultura gaúcha num patamar privilegiado na disputa pelos melhores espaços no mercado internacional.
Sentimo-nos parte deste momento histórico. No governo Tarso Genro (PT), orientamos nossa passagem pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio por fortalecer o serviço de defesa agropecuária, na estratégia de recuperar as funções do Estado. Desenvolvemos uma política salarial adequada ao período, realizamos concurso público para a efetivação de 130 novos médicos veterinários, revitalizamos e mantivemos atuantes os postos de divisa e estimulamos a atuação permanente das equipes de fiscalização. Fomos parceiros da iniciativa privada, especialmente na boa relação com o Fundesa, nos investimentos que qualificaram, ainda mais, os serviços.
Se queremos a nossa economia forte, temos que usar os mecanismos do Estado para atuarem como indutores e potencializadores do desenvolvimento. Isso não é possível com salários atrasados, cortes de diárias e congelamento de aumentos salariais. A sanidade, mais do que nunca, é fator garantidor da valorização da produção agropecuária, pois amplia mercados e assegura melhores preços para a agroindústria. O Rio Grande já avançou bastante neste caminho. Mas, muito ainda há para ser feito. Precisamos, por exemplo, discutir, com seriedade e com um olhar no futuro, a implantação da rastreabilidade bovina. Nossos “vizinhos”, uruguaios e catarinenses, ao sul e ao norte, já adotaram esta ferramenta que os coloca num status sanitário superior ao nosso.
Por enquanto, comemoremos esta vitória. A suinocultura gaúcha, que responde por 27% das exportações brasileiras, é uma das principais cadeias produtivas da nossa agropecuária. Movimentou, no ano passado, US$ 13 bilhões e responde por cerca de 195 mil empregos, entre diretos e indiretos. Permaneçamos vigilantes, porque mais difícil do que obter a certificação, é mantê-la.
Deputado estadual/PT

Fonte: Jornal do Comércio |

Luiz Fernando Mainardi