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Tyson e Pilgrim’s acusadas de manipulação de preços

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Daniel Acker/Bloomberg

Tyson, uma das acusadas pelas distribuidoras de alimentos Sysco e US Foods, é a maior empresa de carnes dos EUA

As duas maiores distribuidoras de alimentos dos EUA entraram na Justiça contra Tyson Foods, Pilgrim’s Pride – controlada pela brasileira JBS -, Sanderson Farms e outras fornecedoras de frango, acusando-as de manipular os preços do produto no atacado.

A Sysco e a US Foods Holding, que fornecem alimentos a restaurantes, hotéis e hospitais, acusam os grandes processadores de frango de participarem por anos de uma conspiração para limitar a oferta enquanto aumentavam os preços da carne de frango, manipulando os valores de referência.

 

Procurados, os porta-vozes da Tyson e da Sanderson negaram as acusações e disseram que as empresas vão contestar as ações. A Pilgrim’s não respondeu imediatamente. Sysco e da US Foods não comentaram.

Uma ação de 131 páginas, impetrada na terça-feira na corte federal do Estado de Illinois, é o último capítulo de uma série de processos e investigações envolvendo as indústrias de carne de frango dos EUA.

Juntas, Sysco e US Foods representam cerca de 25% do negócio de distribuição de alimentos nos EUA. Cadeias de supermercados regionais e restaurantes também já haviam ingressado com ações similares contra as empresas de frango nos últimos 18 meses. Mas as distribuidoras de alimentos são de longe as duas maiores companhias a alegar conluio entre empresas que fornecem 90% do frango consumido nos EUA.

A Sysco e a US Foods alegam que pagaram mais do que deviam pela carne por oito anos, desde 2008. As distribuidoras afirmam que adquirem diretamente de Tyson, Pilgrim’s e Sanderson, dentre outras.

Na ação, as distribuidoras alegam que as empresas de carne de frango restringiram a oferta coordenando os plantéis de pintinhos, com cada empresa tendo acesso a dados dos rivais por meio de um serviço denominado Agri Stats.

O serviço, que pertence à Eli Lilly, publica informações operacionais reportadas pelas indústrias de frango, que são mantidas sob anonimato. As distribuidoras argumentam que executivos da indústrias de carne de frango podiam obter detalhes importantes da oferta dos rivais, podendo ajustar as próprias ofertas levando os dados dos concorrentes em consideração. Procurados, os representantes do Agri Stats não comentaram.

A Sysco e a US Foods também acusam as empresas de frango de influenciar os preços do atacado manipulando o Georgia Dock, um índice de referência de preços mantido pelo Departamento de Agricultura da Geórgia e baseado em informações prestadas pelas companhias de carne de frango.

As distribuidoras argumentam que as empresas de carne de frango reportaram preços que fizeram o Georgia Dock ficar acima de outras medidas de preços de frango, tais como as do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O Departamento de Agricultura da Geórgia suspendeu o índice em 2016. Executivos das indústrias de carne de frango negaram manipular o índice e disseram que ele era usado, em geral, para precificar uma pequena parcela do frango comercializado.

Nas últimas divulgações de resultados, as distribuidoras citaram a alta dos preços do frango como fonte de pressão sobre os resultados. "Vemos uma inflação significativa anos após ano, principalmente em commodities como carne de frango, carne de frango, hortifrútis e pescados", disse em novembro a investidores o CFO da US Foods, Dirk Locascio.

Por Jacob Bunge | Dow Jones Newswires

Fonte : Valor