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Turbulências paralisam vendas de boi

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João Moura/Fotoarena/Folhapress

O terremoto que abala a política nacional provocado pela delação dos irmãos Batista – donos do conglomerado que inclui a JBS, maior empresa de proteínas animais do mundo – travou o mercado brasileiro de bovinos. Analistas dizem que as negociações de compra e venda, que já estavam lentas, estão praticamente paradas.

"O produtor está receoso, com medo da onça", afirma Celso Nogueira, diretor do Sindicato Rural de Cuiabá (MT). Segundo ele, os preços do boi gordo na região estão ao redor de R$ 124 a arroba. Na quarta-feira, antes de o escândalo eclodir, eram cerca de R$ 130.

A delação dos irmãos Batista não foi a primeira pedra no sapato do pecuarista neste semestre. O mercado já tinha sido penalizado pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março, que levou à redução nos abates de bovinos e se refletiu nos preços do boi gordo. "Antes desses escândalos, o mercado estava ao redor de R$ 145 a arroba", afirma Nogueira.

Ontem, em evento em São Paulo, Martin Secco, CEO da Marfrig, afirmou que a confiança no mercado pecuarista foi abalada bem no momento em que o mercado se recuperava da Operação Carne Fraca.

Para Breno de Lima, analista da Scot Consultoria, os eventos da semana passada de fato agravaram um cenário que já não era favorável ao pecuarista. "A indústria vinha alongando escalas e está estocada", diz. Dessa forma, as grandes empresas do segmento já faziam menos compras, e o cenário apontava para baixa de preços em decorrência da fraca demanda em plena safra.

"Muitas empresas estão fora das compras, e ter uma das grandes [JBS] envolvida em escândalos não ajuda o cenário", observa o analista. A JBS informa que continua operando normalmente. Desde a semana passada, a companhia tem comprado gado apenas com pagamento em 30 dias – não mais à vista, o que tem travado as negociações. Mas muitos criadores estão receosos em fechar negócios a prazo com a JBS, dadas as turbulências que afetam a empresa. "As negociações ficaram muito paradas", acrescenta Lima, da Scot. (colaborou Daniela Meibak)

Fonte: Valor |  Por Kauanna Navarro | De São Paulo