Três projetos térmicos gaúchos estarão em leilão

Duas usinas a carvão e um complexo a GNL somam a maior oferta estadual com 2.488 MW no certame que ocorre em 29 de agosto

Jefferson Klein

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Simas considera momento importante para ampliar matriz energética

Simas considera momento importante para ampliar matriz energética

O Rio Grande do Sul foi o estado que cadastrou o maior volume de energia no leilão que será realizado no dia 29 de agosto: 2.488 MW (cerca de 70% da demanda média gaúcha). Esse montante é proveniente de dois projetos a carvão, com 1,25 mil MW, e um a gás natural liquefeito (GNL), com 1,238 mil MW.
Os empreendimentos a carvão são a usina Seival (600 MW), a ser construída pela empresa MPX, no município de Candiota, e a termelétrica da companhia CTSUL (650 MW), que será implementada em Cachoeira do Sul. Já a estrutura que será alimentada a GNL pertence ao Grupo Bolognesi e será instalada em Rio Grande. Essas iniciativas pretendem concorrer no leilão para comercializar a geração futura de energia e, assim, garantirem viabilidade financeira e saírem do papel. As térmicas a carvão, somadas, devem absorver um investimento superior a R$ 6 bilhões.
O custo da usina a gás natural, incluindo-se a implementação de um terminal de GNL e do gasoduto para ligar as duas estruturas, de acordo com um empresário que acompanha o projeto, é de cerca de R$ 3,5 bilhões.
No total do País, o certame registrou a inscrição de 68 empreendimentos, com uma capacidade instalada das usinas de 7.552 MW, entre termelétricas e hidrelétricas. Entre as 12 hidrelétricas cadastradas na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a usina Sinop deverá ser a única a entrar neste leilão de agosto. A estrutura, que terá potência instalada de 400 MW e será situada no rio Teles Pires (MT), possui a licença ambiental prévia exigida no processo de habilitação técnica. A maior parte dos outros projetos hidrelétricos cadastrados para o leilão do próximo mês, conforme a EPE, ainda não obteve a licença prévia necessária para participar desse certame. No entanto, eles poderão, eventualmente, ser incluídos no próximo leilão de energia, agendado pelo governo para o dia 13 de dezembro. Nesse grupo está a hidrelétrica São Manoel, também no rio Teles Pires, com 700 MW de capacidade instalada.
O presidente da Companhia Riograndense de Mineração (CRM), Elifas Simas, considera este momento como uma oportunidade importante para que o Rio Grande do Sul amplie sua participação na matriz energética nacional através do carvão. Ele destaca que o País precisa de mais energia, sendo que a geração térmica é uma fonte segura e firme (que não oscila com as condições climáticas, como a hídrica e a eólica). Simas lembra que tanto os projetos que não saírem vencedores nesse leilão quanto os que não foram inscritos poderão disputar o certame em dezembro.

Fonte: Jornal do Comércio