Tropeço no campo

O recuo de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário no terceiro trimestre, frente ao período anterior, não tira a força do campo brasileiro, que segue com fôlego para minimizar eventuais resultados pífios da economia do país.

Mesmo com o resultado negativo divulgado ontem, o setor acumula avanço de 8,1% de janeiro a setembro e deve retomar o ciclo de alta já neste fim de ano, com expectativa de nova safra recorde em 2014. “Seguimos dominando e puxando o crescimento”, sustenta o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Correa de Carvalho.
Concentrada no primeiro semestre, a colheita da Soja não teve tanta relevância desta vez e ajudou a derrubar o desempenho do setor, que, nos primeiros trimestres de 2013, havia apresentado ganhos de 5,8% e 4,2%. O resultado divulgado ontem é o pior para o período desde 2005, quando houve retração de 7,9%. Na comparação com igual trimestre do ano passado, o tombo foi de 1%. Ainda assim, as riquezas do campo somaram o significativo montante de R$ 54,4 bilhões.
O desempenho de alguns itens específicos também contribuiu para a queda do terceiro trimestre, com destaque para as variações negativas da Produção de laranja (-14,2%), de mandioca (-11,3%) e de café (- 6,9%). No caso da mandioca, a seca no Nordeste castigou as plantações. “Tivemos problemas pontuais em determinadas lavouras. Mas esse resultado deve ser recuperado a partir do quarto trimestre”, acredita o sócio-consultor da MB Agro e da Ruralcon Consultoria em Gestão Agropecuária, José Carlos O´Farrill Vannini Hausknecht.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lembrou, em nota, que o clima irregular e as altas temperaturas entre julho e setembro prejudicaram “culturas relevantes”. A entidade avalia, ainda, que o recuo dos preços de produtos explica, em parte, o desempenho negativo no PIB. “A crise internacional e uma superoferta fez o preço do milho, por exemplo, cair 20% em alguns casos, o que, claro, impactou no faturamento” acrescenta o presidente do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob) em Brasília, Antônio Mazurek.
» Bolsa cai 1,75%
O resultado decepcionante do PIB no terceiro trimestre contribuiu para que a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) tivesse ontem mais um dia de forte desvalorização. O Ibovespa, principal indicador dos negócios, recuou 1,75% e caiu para 50.348 pontos, o menos nível desde agosto. As ações da Petrobras, que na segunda-feira foram as principais responsáveis pelo derretimento do pregão, ao caírem cerca de 10%, voltaram a subir, embora em proporção bem mais modesta. As ordinárias, que dão direito a voto, tiveram ganho de 0,91% e as preferenciais, elevação de 0,86%. Com as últimas duas baixas, a Bovespa acumula perda de 4,07% na semana.

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE  Autor: DIEGO AMORIM