Trabalhadores rurais podem perder lotes da reforma agrária em Goiás

Fonte: G1 GO, com informações da TV Anhanguera

O Incra está investigando denúncias de compra e venda das terras.
Segundo o órgão, não haverá acordo com os produtores irregulares.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) está investigando denúncias de compra e venda de terras da reforma agrária em Goiás. O trabalhador rural que está em situação irregular vai ter que desocupar a terra onde vive e corre o risco de perder todo o investimento que fez na propriedade.

Em Montividiu do Norte, a 460 quilômetros de Goiânia, trabalhadores rurais que estão na terra de forma irregular há mais de dois anos sem acesso a benefícios tentam regularizar a situação junto ao órgão.

O trabalhador rural Valter Pereira mora com a família no assentamento São Pedro, em Montividiu do Norte, há mais de cinco anos. Na parcela de terra, o lavrador cria gado leiteiro e cultiva uma pequena lavoura de pimenta. Segundo ele, o lote foi adquirido em um acerto de contas. “Eu tinha uns bens para receber com um homem e ele tinha esse lote. Ele me ofereceu esse lugar para abater na dívida que ele tinha comigo”, explica.

A situação do lavrador é irregular e por esse motivo ele não pode fazer financiamentos nem receber os incentivos da reforma agrária. A maior preocupação de Valter Pereira é perder a parcela de terra e todo o investimento. “Essas vacas que estão aqui foram ganhas lá fora porque quando eu vim para cá não tinha nada. Tudo eu ganhei lá fora furando buraco, fincando estaca por estaca, arrancando pedra por pedra. Ganhando lá fora e trazendo para cá,” conta o lavrador sobre o investimento que fez no local.

É proibido fazer qualquer negócio com as terras da reforma agrária, mas de acordo com o Incra, mais de 200 ações estão sendo investigadas em Goiás. O órgão está fazendo um levantamento em todos os assentamentos do estado para identificar quantas parcelas foram negociadas. Dados preliminares indicam que pelo menos 15% dos lotes podem estar irregulares.

Os moradores de vários assentamentos da região Norte se reuniram com o superintendente do Incra em Goiás e a resposta dada a eles é que o lavrador que está em situação irregular vai perder o lote. “Temo hoje por volta de 30 cartas precatórias para promover despejo. Então, as pessoas que estão adquirindo lote de reforma agrária através de compra e venda, elas deverão perder esses investimentos que fizeram e perder o acesso ao lote’, explica o superintendente do Incra de Goiás, Jorge Tadeu Jatobá.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, não haverá acordo com os produtores rurais irregulares. O gado poderá ser retirado da propriedade, mas as benfeitorias ficarão na terra e o produtor vai ficar no prejuízo.