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Tom mais ameno em reuniões bilaterais na OMC e com Mercosul

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No rastro da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, a China pediu para as autoridades brasileiras adotarem medidas mais rigorosas para assegurar a qualidade dos produtos exportados para seu mercado, informou ontem, em Pequim, Hua Chunying, uma porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, durante briefing diário da Pasta.

Ela afirmou que a China está preocupada com a qualidade de algumas carnes brasileiras. E confirmou que as autoridades chineses adotaram medidas preventivas – e provisórias – para proteger a segurança dos consumidores chineses. Destacou, ainda, que a China valoriza sua cooperação com o Brasil. E disse que, com medidas responsáveis do lado brasileiro, a questão será resolvida logo.

Em Genebra, após uma reunião bilateral Brasil-China que durou cerca de uma hora, as informações de participantes foi de que a delegação chinesa, composta por cinco técnicos, não apresentou questão sobre o problema da carne.

A reunião, à margem do Comitê sobre Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC), focou em agenda que já havia sido definida, com temas como um protocolo sobre tabaco e exportações de milho, segundo um diplomata brasileiro. Em outra reunião bilateral, desta feita com os Estados Unidos, os representantes de Washington não abordaram a Operação Carne Fraca.

Fontes ouvidas pelo Valor disseram que a delegação do governo de Donald Trump reforçou o pedido para o Brasil permitir a entrada da carne suína americana no mercado brasileiro. O Brasil, no entanto, exige um teste específico para identificar a triquinose, uma doença que afeta suínos nos EUA.

Na rodada de reuniões bilaterais, somente a Bolívia questionou as conclusões da operação da Polícia Federal brasileira.

Como o Valor antecipou, a delegação brasileira fará um relato a seus parceiros da OMC, nesta quarta-feira no Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias, sobre as medidas que o governo vem tomando em relação aos estabelecimentos e funcionários sob suspeita da Polícia Federal.

A delegação brasileira deverá destacar que em 2016 o país enviou 852 mil carregamentos de produtos de origem animal para o mercado internacional e que recebeu apenas 184 notificações de violação de padrões sanitários, em 15 países. E vai argumentar que as cifras mostram que 99,98% de todas as exportações tinham níveis de conformidade adequados às regras sanitárias internacionais.

A União Europeia, um dos maiores importadores de carne brasileira, já tinha enviado e-mail para a delegação do Brasil sugerindo que o país compartilhasse no Comitê de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias informações sobre as medidas que está adotando.

Normalmente, os países demoram um pouco mais para levantar certas preocupações em comitês da OMC. Mas a Operação Carne Fraca no Brasil se tornou um dos temas da imprensa internacional e dificilmente deixaria de ser mencionado na reunião periódica do comitê desta semana.

Também ontem, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ao Valor que a Argentina e o Uruguai não levantaram questionamentos em relação à carne brasileira, mas informaram que não vão comprar carne de nenhum dos estabelecimentos frigoríficos interditados em decorrência da Operação Carne Fraca enquanto durar o "autoembargo" do Ministério da Agricultura.

Por meio do autoembargo, a Pasta decidiu na segunda-feira suspender as exportações dos 21 estabelecimentos frigoríficos sob suspeita de irregularidades no âmbito da Operação Carne Fraca. "Conversei por telefone com os ministros da Agricultura da Argentina e do Uruguai e eles disseram que só não vão comprar carne dos estabelecimentos que estão no nosso autoembargo".

Fonte : Valor