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Termelétricas antigas não atendem regras da Aneel

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Usinas em Candiota e São Jerônimo precisam de melhorias, diz ABCM

Jefferson Klein

A resolução aprovada na semana passada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que estabelece que, para poder ter subsídio de 100% no custo de seu combustível, as térmicas a carvão deverão seguir critérios mínimos de eficiência será um grande desafio para as usinas mais antigas. O presidente da Associação Brasileira do Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, aponta que as fases A e B da termelétrica Presidente Médici, em Candiota, e a usina de São Jerônimo, como estão atualmente, sem melhorias, ficariam praticamente inviabilizadas.

Somados, esses complexos pertencentes à Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE) somam uma potência instalada de 466 MW (cerca de 12% da demanda média de energia do Rio Grande do Sul). As estruturas, além da questão da eficiência, precisam realizar investimentos para atender a exigências ambientais. No ano passado, com a intermediação da Advocacia-Geral da União, a CGTEE, o Ministério de Minas e Energia, o Ministério de Meio Ambiente e o Ibama haviam assinado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) determinando a necessidade de adequação ambiental das fases A e B de Candiota.

O presidente da estatal, Sereno Chaise, admitiu na época que era preciso encontrar uma solução para a fase A, caso contrário em 2013 ela deverá será “desligada”. Já para a fase B, a companhia pretende adquirir dois dessulfurizadores, equipamento que retira o enxofre gerado pela combustão do carvão. Quanto a São Jerônimo, a térmica aguardava a vinda de máquinas da Eletronorte, o que possibilitaria a sua revitalização e repotencialização. Contudo, a solução acabou monstrando-se inviável, devido ao custo das modificações necessárias.

O diretor-técnico e de meio ambiente da CGTEE, Luiz Henrique Schnor, confirma que a norma imposta pela Aneel implicará dificuldades quanto à rentabilidade da operação dos complexos. “Vamos tentar buscar alternativas”, diz. Schnor afirma que a companhia está desenvolvendo um estudo de viabilidade técnico-econômica-ambiental para iniciar a revitalização da fase A. Em relação à fase B, o processo licitatório para a aquisição dos dois dessulfurizadores foi lançado, porém não foi bem-sucedido, pois as empresas interessadas não atenderam a algumas condições do edital. Uma nova tentativa deverá ser feita ainda neste segundo semestre. O custo da compra dos equipamentos deverá alcançar algo em torno de R$ 190 milhões.

Zancan destaca que todo mundo é favorável à melhoria de eficiência. “Mas, do jeito colocado, o remédio pode curar o paciente ou pode, em alguns casos, causar problemas”, argumenta. O dirigente comenta que as usinas mais antigas teriam que ser desativadas. Entretanto, Zancan enfatiza que é fundamental que sejam construídas outras “para não acabar com a indústria”. O presidente da ABCM defende que é necessário que o governo federal crie um programa de modernização do parque termelétrico nacional. Se isso não ocorrer, ele adverte que se perderá capacidade de geração de energia no Sul do País. “Não se pode abrir mão dessa energia, porque está faltando hoje”, alerta.

Conforme Zancan, reeleito na quinta-feira para mais um mandato de dois anos na entidade, através de projetos mais eficientes é possível aumentar a geração, com um volume de emissão de CO2 semelhante ao que se verifica atualmente. Ele revela que, em breve, será apresentado pela Frente Parlamentar do Carvão um projeto de lei para a criação de uma política industrial do mineral. O documento abordará questões tributárias, financiamento do Bndes, recursos para pesquisa e desenvolvimento, nacionalização de equipamentos, entre outros pontos.

Fonte: Jornal do Comércio