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Tereos Internacional lucrou R$ 191 milhões no exercício 2016/17

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Em uma safra que destoou das anteriores por causa dos preços historicamente altos do açúcar, a Tereos Internacional – divisão da francesa Tereos , que inclui as operações de açúcar e etanol no Brasil e em Moçambique e os negócios globais de amido e adoçantes – manteve no período 2016/17 seu nível de faturamento líquido, mas conseguiu se recuperar após duas temporadas no vermelho, registrando lucro na safra e reduzindo o endividamento.

O lucro líquido da companhia na última temporada, encerrada em 31 de março, alcançou R$ 191 milhões. Na safra anterior, a 2015/16, a Tereos Internacional havia registrado um prejuízo líquido de R$ 180 milhões. Os dados sobre o balanço da companhia foram publicados no Diário Oficial Empresarial de São Paulo.

O faturamento da Tereos Internacional ficou praticamente estável entre um ciclo e outro e alcançou R$ 10,2 bilhões. No balanço, a companhia informou que aumentou seu volume de vendas de açúcar e energia justamente em um momento de alta de preços do adoçante no mercado internacional. Contudo, a redução da produção de etanol em função do "mix" mais açucareiro limitou os ganhos.

Considerando as sete usinas controladas no Brasil e sua unidade em Moçambique, a Tereos Internacional produziu 1,6 milhão de toneladas de açúcar, dos quais 26 mil toneladas foram fabricadas na unidade moçambicana. Já a produção de etanol recuou 6% em relação à da safra anterior reflexo da preferência dada à fabricação de açúcar e ficou em 636 milhões de litros.

Nas lavouras, a companhia registrou uma produtividade de 78 toneladas de cana por hectare, enquanto o teor de açúcar na cana ficou em 134,9 quilos por tonelada. No total, foram processadas 20,1 milhões de toneladas.

O resultado financeiro da Tereos Internacional foi beneficiado pela redução generalizada de gastos, desde a diminuição dos custos das vendas até a redução das despesas financeiras. A despesa financeira líquida da companhia diminuiu 25%, para R$ 216 milhões.

Esse ajuste dentro de casa permitiu à companhia elevar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado ajustado em 25%, para R$ 1,5 bilhão.

Além de conseguir um Ebitda mais robusto, a companhia também reduziu seu endividamento líquido, que caiu 12% entre o encerramento da safra 2015/16 e o fim da temporada passada, para R$ 4,4 bilhões. Com isso, a alavancagem – medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda – saiu de um patamar de 4,2 vezes em 31 de março de 2016 para 2,9 vezes em 31 de março deste ano – dentro do que a empresa almejava no início da safra.

 

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo

Fonte : Valor