Tereos apresenta oferta pública de R$ 65 por ação para fechar capital

A Tereos Internacional, empresa de origem francesa que controla a sucroalcooleira Guarani, informou na sexta-feira que sua controladora indireta, a Tereos Participations, decidiu fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) de ações para o cancelamento de seu registro de companhia aberta, devido à baixa liquidez no mercado. Embalados pelo anúncio, os papéis da companhia na BM&FBovespa fecharam em alta de 128,71%, a R$ 51,69.

"O controlador entende que isso será benéfico à companhia e aos acionistas minoritários, que poderão monetizar as ações a um preço que se julga atraente", disse ao Valor Marcus Thieme, diretor de relações com investidores da Tereos. A oferta é de R$ 65 por ação, prêmio de 187,6% sobre os R$ 22,60 do fechamento na véspera ao anúncio.

O valor oferecido pela Tereos foi bem recebido por analistas. "O prêmio não nos deixa outra opção a não ser recomendar que os investidores participem [da OPA]", afirmou o BTG Pactual. O banco mencionou que a oferta veio em um momento positivo, em que o setor parece estar se recuperando, embora as ações enfrentem baixo volume de negócios e a empresa tenha alto nível de alavancagem. A oferta é também muito acima do preço-alvo com o qual o Morgan Stanley trabalhava, de R$ 34,20.

A exigência é que dois terços dos minoritários aceitem a oferta. Caso isso não aconteça, a Tereos propôs a saída do Novo Mercado e a migração para o segmento básico de listagem da BM&FBovespa. "Isso tudo simplifica para o grupo, em termos de estrutura e também dos custos envolvidos", disse Thieme.

Como há cerca de 30% de ações em circulação, a Tereos Participations pode ter que desembolsar em torno de R$ 326 milhões para o fechamento de capital, a depender da decisão dos minoritários e do laudo econômico que será feito por uma empresa contratada. O banco Itaú BBA está atuando como instituição intermediária da oferta e a expectativa de Thieme é que o processo legal da OPA seja concluído no primeiro semestre de 2016.

Com registro de companhia aberta desde 2010, a Tereos Internacional vem de uma recente reorganização acionária. Em 25 de novembro, a empresa aprovou o grupamento da totalidade de suas 817.720.079 ações ordinárias na BM&FBovespa, na proporção de 50 para 1 ação. Abatida por desafios operacionais e financeiros, a empresa registrou um prejuízo líquido atribuível a acionistas controladores de R$ 96 milhões no trimestre encerrado em 30 de setembro (2º trimestre de 2015/16), ante a perda líquida de R$ 2 milhões em igual período do ano passado.

Na última quarta-feira, uma movimentação anormal dos papéis da Tereos (houve uma alta de 35,39%) levou a BM&FBovespa a pedir explicações. A companhia informou não ter "conhecimento de qualquer vazamento de informação". "Tanto que na quinta-feira as ações se comportaram dentro da normalidade [elevação de 0,26%, a R$ 22,60]", afirmou Thieme. (Colaborou Paula Selmi)

Por Mariana Caetano e Rodrigo Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor