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Tecnologia reduz impacto ambiental

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Poucos setores econômicos representaram de forma tão eloquente as demandas por preservação da natureza dos movimentos ambientais surgidos nas décadas de 60 e 70 e que ganharam força ao longo dos anos 80 e 90 quanto o da mineração. Imagens de verdadeiras feridas abertas na floresta, como no caso do impressionante formigueiro humano de Serra Pelada, eternizado pelas lentes de Sebastião Salgado, ou das paisagens lunares das minas de carvão europeias, ainda são a representação estética da devastação natural. Nos últimos 30 anos, após serem eleitas uma das inimigas do movimento ambiental, as mineradoras, no entanto, entraram em longo processo de adequação às crescentes pressões por mais responsabilidade e por reparação aos impactos que geram ao meio ambiente. "Hoje o maior impacto é visual", diz Rinaldo Mancin, diretor de Assuntos Ambientais do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

"Hoje podemos garantir que não existe uma mina nova no Brasil que seja aberta sem um amplo estudo de impacto ambiental, a legislação é rigorosa, assim como a fiscalização", diz ele. Mancin, no entanto, reconhece que os impactos ambientais são intrínsecos à atividade do setor. "É claro que haverá impacto, mas a indústria da mineração conseguiu, nesses últimos 20 anos, desenvolver uma série de tecnologias para minimizar ao máximo o impacto que causa ao meio ambiente", diz ele. "É tudo muito diferente de há 20, 30 anos, quando as áreas eram abertas sem grandes cuidados, hoje é tudo absolutamente estudado."

Mais do que investir no desenvolvimento sustentável de novas áreas, as principais companhias do setor têm apostado em tecnologia para tornar suas operações atuais mais rentáveis adotando estratégias ambientalmente responsáveis. E não se trata apenas de uma estratégia para escapar da legislação mais rigorosa. "Nós não conseguimos mais dissociar a questão econômica da questão ambiental", diz Alessandro Nepomuceno, diretor de Licenciamento e Sustentabilidade da Kinross Brasil Mineração, braço nacional da canadense Kinross Gold Company.

No minério do ouro, assim como no de ferro, água é um componente essencial. Quase todas as mineradoras investem em projetos de reciclagem de água. Na Kinross, por exemplo, o índice de reaproveitamento chega a 87%. "Mas precisamos reduzir ainda mais nossa captação", diz Nepomuceno. A ideia é eliminar a captação de água no período seco, que dura cerca de seis meses no Norte de Minas Gerais, onde a companhia tem sua principal mina. "Já desenhamos um projeto de R$ 50 milhões e acreditamos que em 2015 estaremos fazendo a captação seletiva."

No Norte do Brasil, onde a Vale retira boa parte do minério que produz, água não pode ser chamado de um bem escasso. Ainda assim, a companhia tem investido pesado para conseguir reduzir o volume de água captado nos mananciais locais e, para isso, investiu US$ 125,9 milhões na gestão de recursos hídricos apenas em 2012. Com isso, o reúso de água na Vale passou de 70% para 77%. Em termos práticos, a companhia deixou de captar 1,22 bilhão de metros cúbicos de água, o necessário para abastecer uma cidade do tamanho do Rio de Janeiro por dois anos inteiros. "Ainda temos oportunidades de substituição de água nova por água de fontes alternativas", diz Bernardette Backx, gerente de recursos hídricos da Vale.

Nem toda atividade mineradora, no entanto, depende de água. Na exploração da bauxita, o minério é encontrado em profundidades que variam de um a seis metros por largas extensões. Nesse caso, a cobertura vegetal é a que sofre os maiores impactos. "No nosso caso, o grande desafio é deixar a área exatamente como nós encontramos", diz João Batista de Menezes, diretor adjunto de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Alcoa América Latina & Caribe.

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Fonte: Valor | Yan Boechat | Para o Valor, de São Paulo