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Tecnologia impulsiona agricultura e produção

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A participação do Nordeste na produção brasileira de GRÃOS praticamente dobrou na última década, saindo de pouco mais de 5% para quase 10% entre as safras 2000/01 e 2010/11, quando a região colheu 16,0 milhões de toneladas. A expansão mais do que vigorosa, refletida no salto de praticamente 170% na produção ao longo do período, foi impulsionada principalmente pelo salto de 106% na produtividade média do setor agrícola, de acordo com dados da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB), numa combinação de fortes investimentos em pesquisa e ousadia empresarial.

"O avanço recente do agronegócio na região deve-se aos maiores investimentos em pesquisa, fundamentais para o êxito de algumas atividades do agronegócio, principalmente as que envolvem exportação, como a fruticultura e a produção deGRÃOS", afirma Jackson Dantas Coelho, coordenador de Estudos e Pesquisas do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

Esse crescimento tornou-se mais evidente nas regiões de Cerrado no oeste da Bahia, sul do Maranhão e do Piauí, que demonstram grande potencial de crescimento para o agronegócio, com possibilidade de expandir a produção em mais de 50% na próxima década, destaca o coordenador geral de planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques. Incluindo o Tocantins, a agricultura já explora perto de 6,4 milhões de hectares e deverá atingir algo em torno de 10,0 milhões de hectares em 10 anos, com a produção de GRÃOS saltando de 13 milhões para 20 milhões de toneladas.

Explorada em alta escala e incorporando doses crescentes de tecnologia, a produção agrícola responde diretamente pela criação de 45 mil empregos no oeste baiano, aponta Sérgio Pitt, vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). Nas últimas décadas, atalha André Nassar, coordenador da RedeAgro, iniciativa financiada por instituições como Unica, Aprosoja e ABCZ, além das multinacionais Bunge, Nestlé, Monsanto, entre outras, as regiões que apresentaram maior crescimento do valor bruto da produção agrícola registraram maior incremento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Da mesma forma, aquelas onde a fatia do agronegócio é mais relevante demonstram maior dinamismo econômico. Num levantamento preparado a pedido deste jornal, Nassar mostra que as regiões de Luis Eduardo Magalhães, São Desidério e Barreiras, na Bahia, e de Uruçui, Baixa Grande do Ribeiro e Bom Jesus, no Piauí, acumularam crescimento de 214%, 234%, 152%, 731%, 629% e 223% entre 2001 e 2008, superando a média de seus Estados (138% no caso da Bahia e 159% para o Piauí).

O oeste baiano, retoma Pitt, consolidou uma "matriz produtiva bastante diversificada, diluindo riscos e assegurando estabilidade para a região. Diante do nível tecnológico alcançado, conseguimos suportar períodos de preços menos favoráveis com muito mais folga do que na década passada". Na safra 2011/12, a região plantou 2,04 milhões de hectares, num incremento de 9,8%, e espera colher 7,46 milhões de toneladas, crescendo 9,2% em relação ao ciclo anterior. "Temos mais de 1,0 milhão de hectares disponíveis para a ampliação das lavouras, mais da metade à espera da liberação de licenças ambientais para iniciar a exploração", avalia. Ainda de acordo com Vitt, com investimento de R$ 2,0 bilhões, será possível produzir naquele espaço mais 1,7 milhão de toneladas de GRÃOS, acrescentando perto de R$ 1,8 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia.

A forte concentração do período chuvoso, observa José Carlos Hausknecht, analista da MB Agro, tornou mais complicada a exploração de uma segunda safra, quase eliminando plantios de inverno no Cerrado nordestino. Essa dificuldade natural, retoma Gasques, levou o setor a buscar novas possibilidades na área da tecnologia e de manejo das lavouras, de forma a mitigar o risco climático, definido por oscilações de temperatura e de precipitações que podem afetar seriamente a produtividade.

A pesquisa se encarregou de desenvolver variedades mais resistentes à falta de chuvas. "Em alguns casos, as lavouras conseguem suportar bem 10 a 15 dias a mais sem precipitação", detalha José Gasques.

Fonte:  Valor | Por Lauro Veiga Filho | de Goiânia