Tarso garante posse de terra a agricultores

Conflito entre produtores e indígenas deixou quatro feridos em Sananduva

Em resposta a movimento de agricultores pela suspensão da demarcação de terras no Mato Preto, o governador Tarso Genro assegurou que até o fim de seu governo ‘ninguém tirará terra de ninguém’. E acrescentou que nem mesmo uma determinação judicial pode demovê-lo de sua promessa. ‘Se tivermos uma decisão da Justiça para tirar terras de vocês, irei para a cadeia e não cumprirei a determinação’, declarou, arrancando aplausos dos manifestantes.

A declaração foi dada durante entrega de retroescavadeiras a prefeituras do norte do Estado, ontem em Erechim. Acompanhado do ministro Pepe Vargas, Tarso estabeleceu ‘pacto de solidariedade’, destacando que a posição do governo leva em conta duas legitimidades: a dos agricultores, que estão nas terras há muito tempo, e a dos indígenas, que reivindicam a área.

A posição foi criticada pelo vice-presidente do Conselho Indigenista Missionário, Roberto Liebgott. ‘O governador já havia se manifestado contra os indígenas. Em uma outra manifestação no Piratini, prometeu agilizar recursos. Ele assume um compromisso com cada segmento.’ O deputado Jerônimo Goergen classificou a fala como demagógica e contraditória com seu passado de ministro da Justiça. ‘Ele sabe que não pode garantir isso, mas decidiu jogar para a torcida’, cutucou. ‘O engraçado é que como ministro ele acelerou o processo demarcatório.’

A incerteza quando à posse das terras agrava os conflitos entre índios e produtores, como o ocorrido ontem em Sananduva, que envolveu cem pessoas e deixou quatro feridos. O enfrentamento foi durante a desocupação de propriedade invadida por um grupo indígena. Segundo a Brigada Militar, paus e pedras teriam sido as armas mais usadas no confronto na Linha São Caetano. Depois de controlada a briga, os indígenas seguiram para Ilha das Cobras, em Cacique Doble. De acordo com a coordenadora da Fetraf, Cleonice Back, desde o dia 7, os agricultores vêm tentando a reintegração da área.

Fonte: Correio do Povo