Tarso encerra giro com cobranças e compromissos assumidos

Ao longo de quatro dias, governador ouviu demandas de municípios

Rafael Vigna

CAMILA DOMINGUES/PALÁCIO PIRATINI/JC

Governador e secretário da Agricultura conferiram lavouras que instalaram irrigação mecanizada

Governador e secretário da Agricultura conferiram lavouras que instalaram irrigação mecanizada

Após quatro dias de jornada percorrendo 1,6 mil km entre a Serra e o Noroeste gaúcho, o governador Tarso Genro volta para casa. Na bagagem, o chefe do Executivo estadual traz o conhecimento de causa sobre as principais demandas de muitos dos 17 visitados durante a caravana de interiorização encerrada na tarde deste sábado em Ijuí.

Ao longo do trajeto foram muitos anúncios, inaugurações, vistorias e incentivos concedidos para diversos setores. Tarso e o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, conferiram, na região de Ibirubá, lavouras que instalaram irrigação mecanizada, com equipamento custeado por financiamento do programa Mais Água. O tapete verde da cultura de inverno animou o governador. No entanto, em diversas localidades, houve cobrança de demandas por lideranças políticas, empresariais e até mesmo por cartazes exibidos pela população.

Hábeis em contornar qualquer tipo de mal-estar, Tarso e seu secretariado assumiram compromissos em resposta às manifestações. Em Ibirubá, por exemplo, a comitiva foi recebida com faixas alusivas à demora em dar início às obras da ERS-506, que liga o município à Santa Bárbara do Sul.

Antes mesmo de iniciar a programação prevista na Câmara Municipal de Vereadores, Tarso inteirou-se do assunto com o diretor do Daer, Carlos Eduardo Vieira, e soube que os contratos assinados em 2010 estão sendo revisados por conta de uma alteração de preços dos insumos cobrados por uma pedreira. O fato gerou a necessidade de uma nova licitação.

O governador afirmou que a obra receberá atenção especial. Além disso, os manifestantes ouviram a promessa de ampliar a pavimentação dos três quilômetros previstos para 19 quilômetros. Conforme o vice-prefeito de Ibirubá, Francisco Rogério Rebelato, seriam necessários 39 quilômetros, mas o primeiro trecho, de 19 quilômetros, é essencial para o escoamento da produção agrária e para servir de alternativa à ERS-223, uma das campeãs em acidentes.

Tarso aproveitou o fato para fazer um balanço da interiorização e repetir uma das frases mais recorrentes em seus discursos. “No primeiro ano de interiorização, recebíamos 80% de críticas e 20% de elogios. Agora esse número se aproxima de 50% e 50%”, minimizou.

Critérios do Fundopem desagradam municípios ricos

A distribuição do Fundopem também foi alvo de críticas durante a passagem da comitiva do governo gaúcho por Teutônia. Durante as comemorações do Dia do Colono, na quinta-feira, o prefeito da cidade, Renato Airton Altmann, afirmou que a prioridade dos incentivos concedidos para a instalação de empresas atraídas ao Estado às cidades de menor renda tem prejudicado o desenvolvimento local.

De acordo com Altmann, Teutônia ficou com apenas 27% dos benefícios destinados à região. O governador, que recebeu do prefeito um estudo amplo da demanda, disse que avaliaria o caso. Para o secretário do Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, essa não é uma cobrança isolada e deve ser estudada.

No entanto, Knijnik destaca que fomentar o desenvolvimento de regiões menos favorecidas é justamente o objetivo do Fundopem-Integrar. “Vamos analisar isso, pois é uma pauta de outras cidades, mas sempre que mexermos nos critérios, outras cidades serão prejudicadas”, rebateu.

Abertura de praça de pedágio em Marques de Souza gera perdas

Ao fazer um ato simbólico na quinta-feira, na antiga praça de pedágios administrada pela Sulvias no munícipio de Marques de Souza, o governador Tarso Genro discursou sobre o capô de um veículo para comemorar a abertura de uma das 13 cancelas que integram o plano de revisão de concessões das estradas gaúchas.

Entretanto, o prefeito da cidade, Ricardo Kich, lembrou que a saída da empresa gera perdas superiores a R$ 70 mil mensais na arrecadação. Segundo ele, apesar de ser um dos pedágios mais caros do País – cerca de R$ 14,00 para veículos de passeio e até R$ 105,80 para caminhões – os moradores recebiam isenções de cobrança.

Ao tomar conhecimento do fato, o governador chamou a responsabilidade para o secretário da Saúde, Ciro Simoni. A ideia, segundo Tarso, é compensar a queda com o equivalente em novos recursos para a saúde, o que agradou ao prefeito.

Pequenos laticínios reclamam da concessão de crédito presumido

Durante a entrega de certificados de adesão ao Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Sisbe/Suasa), sexta-feira, em Panambi, Tarso Genro ouviu do presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul, Marcelo Roessler, duras críticas ao sistema de crédito presumido criado para forçar a adesão ao sistema. Isso porque algumas cooperativas de menor porte têm encontrado dificuldades para promover as melhorias necessárias para aderir ao programa.

Segundo Roessler, os pequenos ainda são historicamente prejudicados na luta contra as grandes empresas. Um estudo encomendado pela entidade, em 2010, estima que, para cada R$ 1,00 recolhido de tributos pelas empresas de maior envergadura, são gerados R$ 3,48 pelos pequenos laticínios. A resposta à demanda ficou por conta do secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, que era saudado por uma faixa de agradecimento pendurada em frente à sede da associação. De acordo com Manardi, o governo reconhece os esforços dos pequenos, responsáveis por 35% da contratação de mão de obra do setor.

Por isso, o secretário relembra que um projeto que tramita na Assembleia prevê a criação de um fundo complementar e amplia o crédito presumido de 5% para 10% de ICMS aos pequenos que aderirem ao Sisbe.

Fonte: Jornal do Comércio