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Tambaqui de Rondônia para exportação

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Giovane Rocha/Rally da Pecuária

José Batista da Silva: objetivo atual é exportar tambaquis para a Bélgica

"O nome fazenda já diz. Você está sempre fazendo". E para José Batista da Silva, paulista radicado em Rondônia, fazer, no momento é exportar tambaqui para a Bélgica.

Quando recebeu a comitiva do Rally da Pecuária na fazenda Cabocla, em Itapuã D’Oeste (RO), Batista esperava um grupo de empresários de São Paulo e da Europa para discutir a construção de um frigorífico de tambaqui. A intenção do empresário é convencer os investidores que erguer a fábrica em Rondônia vale mais a pena do que em Goiás, onde pretendem se instalar.

Para Batista, contar com um frigorífico parceiro nas proximidades sanaria uma das lacunas de seu modelo de negócios. Atualmente, sua produção anual de 300 toneladas de tambaqui é enviada ao Pará, onde os preços são mais atrativos do que em Rondônia, apesar da distância maior.

Maior Estado produtor do peixe amazônico – 64,8 mil toneladas de um total nacional de 135,8 mil toneladas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) -, Rondônia dispõe de poucas oportunidades para industrializar o peixe, criticou Batista.

De acordo com ele, as principais indústrias do Estado já são ligadas a produtores de grande porte, o que limita o preço de suas vendas.

Nos planos do dono da fazenda Cabocla, o projeto dos europeus daria maior segurança à sua produção, que está sendo ampliada. A expectativa do produtor é que, em 2018, os tanques da tambaquis atinjam uma área de 84 hectares de lâmina d’água, ante os 36 hectares atuais. Com isso, a produção de Batista deverá aumentar para 800 toneladas de tambaquis por ano.

De ciclo longo, a produção do peixe amazônico em cativeiro leva oito meses, o que exige muito capital de giro. Assim, dispor de uma indústria próxima se torna vital para impulsionar os preços do peixe.

Na área de pecuária, Batista abre mão de preço. Especializado em genética bovina, o empresário vende touros "baratos", de R$ 7 mil, destinados a pequenos produtores que financiam a compra com recursos do Pronaf. Segundo ele, essa é a realidade do mercado rondoniano, e não as somas vultosas comercializadas nos leilões.

 

Por Luiz Henrique Mendes | De Itapuã D’Oeste (RO)

Fonte : Valor