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Syngenta lucra menos até junho e eleva aposta na América do Sul

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Arnd Wiegmann/Reuters
Segundo o diretor operacional da Syngenta, John Atkin, o clima frustrou as vendas no Hemisfério Norte no 1º semestre

Maior empresa de defensivos químicos do mundo, a suíça Syngenta registrou um lucro líquido de US$ 1,41 bilhão no primeiro semestre deste ano, 5% menos do que em igual período de 2012. A companhia agora aposta no aumento das vendas no Brasil e na Argentina no segundo semestre para reverter a queda na segunda metade do ano.

O número divulgado ontem frustrou as expectativas do mercado, que oscilavam em torno de US$ 1,5 bilhão, de acordo com levantamento da agência Bloomberg. Com isso, as ações da empresa caíram quase 4% na bolsa de Zurique.

A múlti registrou receita de US$ 8,39 bilhões nos seis primeiros meses de 2013, um aumento de 2% em relação ao mesmo período do ano passado. Entretanto, o valor representa um crescimento de 7% quando descontado o recebimento de US$ 256 milhões – referentes a um acordo de licenciamento de tecnologia firmado com a DuPont nos EUA – reportado no primeiro semestre de 2012.

Carro-chefe da companhia, as vendas de defensivos cresceram 6% nos seis primeiros meses do ano, para US$ 6,01 bilhões. Já o negócio de sementes encolheu 6%, para US$ 2,05 bilhões. Segundo o diretor operacional da companhia, John Atkin, o clima frustrou as vendas no Hemisfério Norte, que respondem por dois terços da receita no primeiro semestre.

O excesso de chuvas entre abril e maio retardou o início do plantio nos EUA e reduziu o número de aplicações de agrotóxicos na Europa. Além disso, a seca do verão passado derrubou a produção e a venda de híbridos de milho no mercado americano.

Ainda assim, as vendas na Europa cresceram 5% no semestre, para US$ 3,16 bilhões, com aumento de 3% da receita com defensivos (para US$ 2,2 bilhões) e de 8% na de sementes (para US$ 980 milhões). Contudo, as vendas na América do Norte recuaram 5%, para US$ 2,63 bilhões. O faturamento na área de defensivos cresceu 8% (a US$ 1,88 bilhão), mas o de sementes amargou uma retração de 28% (para US$ 754 milhões).

Em termos relativos, a América Latina foi o mercado que mais cresceu para a Syngenta no primeiro semestre. Ao todo as vendas cresceram 13%, para US$ 1,17 bilhão. A receita com defensivos no bloco cresceu 11% e superou a marca de US$ 1 bilhão. A de sementes somou US$ 160 milhões, alta de 21%.

Embora tenha peso semelhante ao da Europa e América do Norte na receita total da Syngenta, a América Latina contribui com menos de 15% do resultado obtido no primeiro semestre. No segundo, essa participação aumenta para quase 50%. Em 2012, mais de dois terços das vendas para a região aconteceram no segundo semestre.

Atkin se diz otimista em relação ao desempenho das vendas para Brasil e Argentina no segundo semestre. "Os preços das commodities ainda estão altos, os produtores estão capitalizados e a demanda por alimentos segue aquecida", justifica o executivo.

O executivo afirma que a recente queda nos preços da soja e do milho não deve comprometer o resultado. "É verdade que as cotações cederam de onde estavam há alguns meses e que há um alívio no balanço entre oferta e demanda, mas são movimentos de curto prazo. Os fundamentos são muito sólidos".

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo