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Syngenta avança na comercialização de cafés especiais

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Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/Valor
Juan Gimenes: "É o café como um meio para que a empresa tenha um diferencial competitivo na área de agroquímicos"

Tratado como uma evolução das operações de "barter" (a troca de insumos pelo produto da colheita) e aposta da multinacional de agroquímicos e sementes Syngenta para buscar um diferencial competitivo no mercado, o programa Nucoffee deve alcançar a marca de 2 mil fazendas em 2013 – um crescimento de quase 43% em relação às atuais 1,4 mil.

Lançado em 2006, com a participação de apenas três fazendas e uma torrefadora, o Nucoffee envolve toda a cadeia produtiva. Mais do que trocar defensivos por sacas de café, a empresa oferece consultoria para a produção de grãos de qualidade superior, a rastreabilidade e a comercialização do produto.

A Syngenta é pioneira neste modelo, que ainda é exclusivo ao Brasil. A estimativa é que, nesta safra 2012/13, a entrega de cafés especiais dentro do programa cresça 76,5%, para 270 mil sacas.

O produto "contratado" das fazendas é comercializado pelo Nucoffee junto a micro, médias e grandes torrefadoras, principalmente dos Estados Unidos, onde a empresa mantém armazéns para abastecer seus clientes. Daniel Friedlander, gerente de marketing da Nucoffee para mercados internacionais, acrescenta que o grão é exportado para 250 torrefadores, além dos EUA, no Japão, Coreia do Sul, Austrália, Nova Zelândia e União Europeia.

A receita recebida pelo produto embarcado volta ao programa. Em caso de prêmios significativos pagos pelos grãos considerados superiores e especiais, a lucratividade é repassada para o produtor de acordo com a faixa em que se classifica no próximo acordo fixado com a empresa.

Assim, na próxima definição de preços para a troca, o agricultor ganha um valor mais alto pela sua saca. Já no caso dos microlotes – os cafés no topo do ranking de qualidade – o valor adicional (muito diferente e imprevisível em relação ao preço do produto tradicional) é "discriminado" em percentual de crédito para o próximo contrato do produtor.

Todo o processo é rastreado. No sistema do Nucoffee é possível verificar todas as características da produção e insumos usados em determinado talhão da propriedade, dados que os torrefadores podem acessar. "Não pretendemos ser uma fiscalizadora, mas sim compartilhar com a cadeia produtiva uma transparência", afirma Juan Gimenes, gerente de novos negócios da Syngenta Nucoffee. Atualmente, conta, não existe no mercado um protocolo definido de rastreabilidade, e muitas certificadoras consideram este controle para a certificação.

Os participantes do programa no Cerrado, Zona da Mata e Sul de Minas e Bahia dedicam, em média, de 2% a 4% do café arábica produzido em suas fazendas para o Nucoffee. Essa oferta representa de 50% a 60% da receita total da Syngenta com a cultura no país, de acordo com Gimenes.

A empresa afirma que o custo para aderir ao Nucoffee representa 5% do investimento em produção, mas a agregação de valor com produto de melhor qualidade é de 30% a 40%, com aumento médio da produtividade em torno de 20%. Somando os percentuais de rastreabilidade e contato com os torrefadores, os ganhos para o produtor podem chegar a 70%. "É o café como um meio para que a empresa tenha um diferencial competitivo na área de agroquímicos", afirma Gimenes.

Para o cafeicultor Wagner Ferrero, com fazendas em Minas Gerais e São Paulo, a participação no Nucoffee permite uma assistência mais tecnificada e maior contato com torrefadoras estrangeiras, além de possibilitar a venda direta para os Estados Unidos, um dos mercados que pagam mais pelo grão de melhor qualidade. Na próxima semana, ele deve receber a visita de uma torrefadora americana interessada no seu produto.

Uma das metas é que 60% do café produzido pelos participantes do programa seja diferenciado. Nos planos de expansão está a inclusão de propriedades produtoras de café robusta. Mas, em um primeiro momento, segundo o presidente da Syngenta Brasil, Laércio Giampani, o crescimento será nas áreas de café arábica.

Giampani, que também é cafeicultor, acredita que o programa pode contribuir para "firmar" o Brasil como produtor de café de qualidade em vez de um fornecedor de quantidades. Um projeto piloto com o mesmo conceito está sendo implementado na cultura do algodão com cinco grandes produtores do Centro-Oeste. O objetivo é a produção de fibra diferenciada. A fase comercial do programa está em avaliação.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo