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Sustentabilidade à mesa

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Uma tendência entre os grandes chefs da atualidade a colega Bete Duarte, do caderno Gastronomia, corrija-me se eu estiver enganado é a valorização dos ingredientes produzidos perto de suas cozinhas. Incensado como melhor restaurante do mundo, o dinamarquês Noma é um exemplo de aproveitamento integral da flora e da fauna locais em seu menu. Com a harmonização de vinhos com comidas, dá-se algo semelhante: o melhor casamento ocorre sempre entre rótulos e alimentos de uma mesma região. Estranho, por isso, quando viajo pelo Estado e o maitre de um restaurante, tido às vezes como o melhor da cidade, orgulha-se de recomendar um salmão do Pacífico escoltado por um vinho chileno pior ainda quando isso acontece em uma região com rica expressão culinária e vinícola, como a Serra ou a Campanha. Claro que temos de ter outras opções além do espeto corrido com cabernet sauvignon gaúcho. Mas, em nome da sustentabilidade ambiental, seria bom se começássemos a valorizar mais à mesa a produção agropecuária do lugar em que estamos.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho