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Sustentabilidade deixa de ser mero conceito nas companhias

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

A sustentabilidade está se consolidando na agenda empresarial mundial. É isso o que mostra a mais recente pesquisa mundial da McKinsey, "Driving Value from Sustainability" [Tirando valor da Sustentabilidade, numa tradução livre do inglês], apresentada na semana passada em São Paulo.

Realizada ao longo de julho, a pesquisa on-line questionou três mil executivos de diferentes cargos e indústrias para saber a situação da "porteira pra dentro" das empresas. E o resultado foi positivo.

"Acabou o período da imagem", diz Marcus Frank, responsável pela área de sustentabilidade da McKinsey no Brasil. Segundo ele, a diferença entre a pesquisa deste ano e a de 2010 é visível. "As empresas estão olhando essa questão como uma relação ganha-ganha".

A pesquisa mostra que os motivos para a adoção de uma política de sustentabilidade estão cada vez mais distantes da mera "imagem e reputação" da companhia. Eficiência operacional, por exemplo, foi citada como razão suficiente para enveredar em um caminho de produção sustentável por 33% dos executivos consultados – um salto se comparado com os 19% que disseram o mesmo no ano passado. Já 27% alegaram que a sustentabilidade representa novas oportunidades de crescimento, dez pontos percentuais acima dos que tinham a mesma opinião em 2010.

Questionadas sobre o que exatamente elas estão fazendo, 63% responderam que estão reduzindo o uso de energia elétrica em suas operações; 61% que estão reduzindo o desperdício; e 43% que diminuíram as emissões de gases poluentes dos processos produtivos.

A McKinsey fez as mesmas perguntas a uma amostra bem menor de empresas brasileiras – 90 – e descobriu que elas veem o impacto de ações de sustentabilidade nos negócios de forma mais otimista. Um terço das brasileiras acredita que tais iniciativas trazem oportunidades mais que riscos, sendo que só 3% acham o contrário. No resto do mundo, esses percentuais foram de 21% e 6%, respectivamente.

Para Frank, alguns fatores podem explicar isso. Um deles é que os brasileiros são presenteados com abundância de matérias-primas. Outro é que o risco de falta de água é pequeno no país. "Isso tudo são interpretações. O que é fato é que as empresas passaram a enxergar a sustentabilidade como uma alavanca de geração de valor."