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André Rezende, da Prática Produtos, que utiliza linhas do BNDES e BDMG: "O orçamento inclui pesquisa e desenvolvimento para novos itens de panificação e gastronomia, com funções de eficiência energética e tecnologia de microondas"

O caminho para inovar em máquinas e equipamentos pode ganhar um atalho, com linhas de crédito especiais e taxas de juros mais magras. A prática está cada vez mais difundida entre empresas inovadoras que precisam garantir recursos para alavancar a compra e produção de maquinários com maiores índices de eficiência, além de ampliar negócios e aumentar a competitividade. Há ofertas de empréstimos em instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), além de subvenções econômicas de entidades como a Agência Brasileira da Inovação (Finep) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Uma das linhas mais acessadas no segmento é o programa de sustentação do investimento do BNDES, o BNDES PSI, cujos desembolsos nos primeiros cinco meses do ano somaram R$ 36,5 bilhões, um crescimento de 285% em relação ao mesmo período do ano passado. O montante financia a aquisição de máquinas, bens de capital e projetos de inovação.

"Dentro do PSI, o subprograma de Máquinas e Equipamentos Eficientes apoia a inovação em aparelhos, mas também dá suporte à produção e compra de itens, além de projetos de engenharia que estimulem o conhecimento técnico em setores como bens de capital, defesa, automotivo, aeronáutico, aeroespacial e nuclear, petróleo, químico e petroquímico", detalha Flávia Kickinger, chefe do departamento de avaliação e inovação do banco. Criado em 2009, o PSI já ajudou mais de 80 empresas, a maioria de grande porte.

Segundo Flávia, o valor mínimo para apoio é de R$ 1 milhão, com taxa de juros fixa anual de 3,5%. O prazo de amortização varia de acordo com o objetivo do projeto, com períodos de oito, dez e doze anos. "O BNDES PSI tem vigência até 31 de dezembro de 2013", avisa.

Na fabricante mineira Prática Produtos, do setor de material para food service e panificadoras, 80% do montante total investido em inovação vêm de financiamentos externos. Dona de um faturamento de R$ 100,3 milhões em 2012, incluindo as operações da coligada Klimaquip, a companhia aplicou R$ 2,7 milhões, em 2013, em projetos inovadores.

"O orçamento inclui P&D para novos itens de panificação e gastronomia, com funções de eficiência energética e tecnologia de microondas", diz o presidente André Rezende, que, além do BNDES, utiliza recursos do BDMG. Desde 2011, o banco mineiro oferece linhas como a Pró-Inovação, de até R$ 2 milhões, para desenvolvimento de produtos. Mais de 50 empresas tiveram acesso ao crédito, num total de R$ 35,6 milhões.

A Prática também aproveita o incentivo para trabalhar na criação de sistemas de troca de calor mais eficientes, com maior velocidade de cocção, além de investir em certificações para o mercado internacional. O plano é faturar R$ 127,5 milhões este ano. "Pretendemos sustentar um nível de crescimento de 25% a 30%, ao ano", diz. "Para isso, mantemos parcerias com fornecedores e instituições de pesquisa, como a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel)."

Um dos lançamentos mais recentes é um "fritador" de alimentos que troca o uso do óleo por uma combinação de aquecimento do ar em alta velocidade com extração da umidade. O mecanismo evita o descarte de gordura e a emissão de fumaça. "A inovação não está ligada somente a ‘estalos’ ocasionais de criatividade, mas a um processo de trabalho planejado." Nessa linha, a empresa montou um modelo de gestão da inovação, para garantir recursos financeiros e ter rotinas de desenvolvimento baseadas em metas.

Carlos Alberto Marques Teixeira, coordenador do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) do Rio de Janeiro, afirma que os esforços na concessão de incentivos são sempre bem-vindos. "Em função da baixa competitividade, a indústria de bens de produção ainda tem uma evolução tecnológica vinculada às importações", analisa. Para acelerar projetos inovadores, o especialista diz que as fabricantes devem utilizar, com mais ênfase, os mecanismos de apoio já existentes.

"As organizações devem se aproximar de centros de pesquisa tecnológica para fazer parcerias e acessar programas de inovação, como as ações da Embrapii e o Sistema Brasileiro de Tecnologia." O Sibratec, operado pela Finep, e a Embrapii, do governo federal, ajudam a azeitar a cooperação entre companhias e instituições voltadas à P&D. Os investimentos previstos da Embrapii são de R$ 1 bilhão, até 2014.

Em abril, a Finep, o BNDES e o Ministério da Saúde também lançaram o Inova Saúde-Equipamentos Médicos, com recursos de R$ 600 milhões, até 2017. A ideia é estimular o desenvolvimento de máquinas para cuidados intensivos na área, como hemodiálise e radioterapia. Setenta e quatro empresas, com receita operacional bruta superior a R$ 5 milhões, já estão na fase preliminar de seleção para a obtenção do crédito.

A paulista Magnamed, vencedora do Prêmio Inova Saúde 2013, da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), aplica pelo menos 15% do faturamento anual em inovação. A empresa desenvolveu um ventilador pulmonar eletrônico de transporte de emergência para recém-nascidos e adultos. A máquina portátil, de 3,2 kg, tem recursos de assistência remota, que podem identificar problemas via internet, sem a necessidade de deslocar um técnico até o hospital.

Segundo o sócio Tatsuo Suzuki, pelo menos 40% da verba para inovação vêm de recursos próprios e 60% são obtidos em subvenções econômicas não reembolsáveis, de entidades como a Finep e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). "Já temos um planejamento para lançar novos itens, a cada ano, nos próximos cinco anos", diz ele, sem revelar as futuras invenções.

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Fonte: Valor | Por Jacilio Saraiva | Para o Valor, de São Paulo