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Sucessão na agricultura familiar

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Fonte:  Jornal do Comércio | Lino De David

Diversificação, capacitação, políticas públicas e espírito empreendedor podem estimular a sucessão no meio rural. A diminuição da população rural é um fenômeno global, que pode ser amenizado a partir de investimentos em agroindústrias e na comercialização do que é produzido pela agricultura familiar. Para que isso ocorra de forma profissional e definitiva, é preciso capacitar e formar nossos jovens, para que permaneçam no campo, com qualidade de vida e melhoria de renda. Uma agricultura diversificada garante uma perspectiva maior para que o jovem volte a acreditar na importância da produção primária, especialmente no atendimento à crescente demanda por alimentos. Mas não podemos ficar só na parte produtiva. É preciso mudar a estratégia de visualizar a produção, qualificando o processamento e a comercialização, e evoluindo inclusive de forma rentável, para que o agricultor tenha condição de vida digna e que passe a enxergar a cadeia produtiva como um todo, se ocupando, portanto, não só da produção de matéria-prima, mas se qualificando como empreendedor.
Hoje, o governo do Estado está recuperando programas que fortalecem e incentivam o surgimento de novas agroindústrias familiares, dos quais a Emater/RS-Ascar é executora. Estamos nos adequando à legislação e implementando o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), que vai permitir a comercialização de alimentos entre municípios e estados. Através da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR) lançamos o programa de Extensão Cooperativa, fortalecendo as organizações econômicas de agricultores familiares, através das pequenas cooperativas locais e microempresas, alavancando a agricultura familiar também fora da propriedade. Com essas novas estratégias, de preparar o jovem para permanecer no meio rural, pretendemos mudar os laços culturais, que insistem na lógica do mercado de não valorizar o trabalho de quem garante o alimento na nossa mesa todos os dias. Isso tudo pressupõe que o Estado tem um papel fundamental oferecendo para esses jovens melhores estradas, tecnologias, informação e assistência técnica.

Presidente da Emater/RS e superintendente da Ascar