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Sucesso da tilápia move crescimento da Aquabel

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Milton Dória/Valor

Ricardo Neukirchner, sócio-fundador da Aquabel: "rústica", tilápia é tolerante à diversidade de águas e doenças

Maior produtora de alevinos de tilápia do país, a paranaense Aquabel Piscicultura se prepara para triplicar de tamanho nos próximos três anos, a partir de um plano estratégico que prevê a expansão da oferta no país e a abertura de unidades no exterior.

Ricardo Neukirchner, sócio-fundador da empresa, explica que esse projeto faz parte da ambição de seu controlador, o grupo alemão EW, de conquistar uma posição de destaque no mercado global de peixes, que tem na tilápia um de seus carros-chefes.

O grupo EW, que fatura cerca de € 2 bilhões por ano, comprou 75% da Aquabel no ano passado. Mais recentemente, adquiriu a norueguesa GenoMar, uma das maiores empresa do mundo na área de reprodução e genética de tilápia.

Com essas tacadas, o EW busca conquistar, no crescente mercado do peixe, o protagonismo que tem em genética avícola, por exemplo. E o braço para seu avanço no Brasil e na América Latina é a Aquabel.

Com sede em Rolândia, município próximo a Londrina, a companhia brasileira conta com seis unidades de produção no Brasil (ver infográfico), nas quais produz, no total, aproximadamente 100 milhões de alevinos por ano.

A meta, de acordo com Neukirchner, é que esse volume salte para 300 milhões em três anos. O executivo diz que o plano já começou a sair do papel, por meio de aportes na expansão das fábricas existentes – que hoje dispõem, no total, de 50 hectares de lâminas d’água.

Mas ele adianta que o ritmo terá que ser acelerado com a instalação de novas unidades – e revela que, nessa direção, oportunidades em outros países latino-americanos estão sendo prospectadas. A expectativa é que a primeira incursão externa seja definida este ano.

Apesar da ampliação do foco, o Brasil continuará prioritário. Conforme Neukirchner, que também preside a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), lembra que, até 2016, a criação de peixes em cativeiro vinha crescendo de 15% a 20% ao ano no país.

A estiagem no Nordeste e seus reflexos sobretudo no Ceará, contudo, reduziram o percentual a 1% no ano passado. "Com a melhora do clima, voltaremos a crescer em ritmo forte em 2017", afirma Neukirchner. "Normalmente sentimos pouca interferência do clima, mas a seca do ano passado foi uma das piores da história".

Mesmo com a desaceleração, o volume total da produção atingiu 580 mil toneladas. E a tilápia já representou de 60% e 65% do total. O sócio-fundador da Aquabel explica que o peixe é o preferido da indústria por ser "rústico", tolerante a diversidade de águas e temperaturas e resistente a doenças.

"Além disso, a tilápia não tem sabor forte e pode ser vendida ao consumidor sem espinho e em porções individuais. Daí seu sucesso no mundo", diz Neukirchner.

No Brasil, a popularização da tilápia – que não precisa ser mais vendida no varejo brasileiro como Saint Pierre ou Saint Peter, seus nomes "chiques" – colaborou para elevar o consumo per capita de pescados na última década, para os atuais 9 quilos ao ano.

Mas o potencial é grande. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa média deve ser de, no mínimo, 12 quilos. Daí porque os alevinos da Aquabel estarem sendo cada vez mais procurados pelas grandes empresas criadoras de tilápia, que engordam o peixe para processamentos em seus próprios frigoríficos ou de terceiros.

(Fernando Lopes | De Londrina (PR))

Por Fernando Lopes | De Londrina (PR)

Fonte : Valor