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Suíça quer subsidiar até paisagismo

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A nova política agrícola da Suíça planeja pagar aos agricultores para plantarem os gerânios que vão decorar as janelas das fazendas ou para instalarem bancos nos caminhos trilhados por pedestres.

A Suíça é campeã mundial de subsídios agrícolas por habitante, junto com a Noruega. Foram mais de US$ 6 bilhões em 2011. A ajuda governamental representa 54% da receita dos agricultores helvéticos, comparado a 18% na União Europeia (UE) ou 1% na Nova Zelândia. O protecionismo suíço faz com que seus preços agrícolas sejam 60% superiores às cotações mundiais, em média.

O interesse pela evolução da política agrícola suíça é uma forma de ilustrar como países desenvolvidos querem transferir parte das bilionárias subvenções à produção em favor de serviços como proteção da paisagem, afim de se adaptarem às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em 2011, os subsídios agrícolas concedidos pelos países desenvolvidos alcançaram US$ 252 bilhões, 4,6% a mais que no ano anterior, segundo levantamento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Como é cada vez mais reconhecido e combatido o tipo de subvenção que estimula enorme excesso de produção, o Parlamento suíço quer incluir na programação de 2014-2017 várias formas de recompensa indireta pelas quais os próprios agricultores se mostram reticentes.

Pelo projeto, uma plantação de flores ao longo de vias para pedestres na área rural poderá receber subsídio de US$ 4 mil por hectare e US$ 1 mil para sua manutenção.

Se o agricultor também colocar bancos em certos trechos de seu terreno de produção, para uma pausa dos visitantes, o subsídio será de US$ 800 por banco. Se plantar árvores para render nozes aos pedestres, ganha mais algumas dezenas de dólares.

Pela plantação de uma alameda de árvores na entrada da fazenda, à beira dos campos ou de rios, e garantir uma paisagem bucólica, o agricultor poderá receber US$ 200 a cada nova árvore plantada ou US$ 60 pelas já existentes. Já o produtor de vinho que diminuir o impacto visual de seus vinhedos poderá receber mais de US$ 1.000 por hectare. Se plantar rosas a margem dos vinhedos, receberá US$ 60 por elas – e US$ 24 pelas flores existentes.

Também para embelezar a paisagem, o agricultor helvético será incitado a plantar flores entre duas culturas. Por exemplo, plantando girassol entre milho e trigo, receberá mais de US$ 250 por hectare.

Mas a imaginação suíça para dar subsídios aos agricultores parece não ter limites. Assim, se o produtor fizer em seu terreno algumas vias sinuosas, e não retilíneas, também receberá outro tipo de ajuda.

No cantão de Argovia, perto da capital, Berna, um projeto já paga para o agricultor plantar gerânios em vasos nas janelas. A discussão é para estender o projeto a todo o território helvético.

Na região de Franches-Montagnes, na fronteira com a França, o governo local vai dar subsídio para o produtor pela preservação de rebanhos mistos. Ou seja, desde que ele tenha mais de três cavalos no meio de bovinos, receberá mais ajuda.

A União Suíça de Agricultores quer o dinheiro, mas reclama que o projeto desvia o agricultor de sua atividade principal. A entidade ambiental Prometerre também enxerga "uma contribuição artificial, pois é a atividade normal que faz a paisagem".

Na OMC, a Suíça soma forças com outros ferozes protecionistas importadores líquidos de alimentos, como Japão, Coreia do Sul e Noruega. As negociações agrícolas estão paralisadas. Enquanto isso, os EUA preparam uma nova lei agrícola que concede mais subsídios do que antes, segundo avaliação do Brasil.

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Fonte: Valor | Por Assis Moreira | De Genebra