Stara quer fazer o caminho inverso das multinacionais

Depois de anunciar investimentos de R$ 250 milhões até 2017 para iniciar e ampliar a produção de tratores e pulverizadores autopropelidos, a empresa familiar gaúcha de implementos agrícolas Stara tem planos ousados de expansão que incluem até a compra de fábrica na Europa e Estados Unidos.

A estratégia de longo prazo inclui fazer o caminho inverso das grandes multinacionais do setor de máquinas agrícolas que atuam no Brasil, com base nos EUA e Europa. Mas uma possível aquisição nesse sentido ficaria para 2015, 2016, ou quando aparecer a primeira oportunidade, afirma Gilson Trennepohl, diretor-presidente da Stara.

Para Trennepohl, não custa sonhar "grande". A expectativa é que o faturamento da empresa possa chegar a US$ 4 bilhões em 2025, caso os planos de expansão se concretizem. Mas os planos vão depender de investimentos da companhia, dos aportes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e também de uma possível abertura de capital, que está sendo avaliada com a ajuda de uma consultoria.

Nos últimos anos, a receita da Stara apresentou grande expansão. Passou de R$ 60 milhões em 2006 para R$ 160 milhões um ano depois e, em 2011, saltou para R$ 581 milhões. Este ano, a estimativa é alcançar perto de R$ 1 bilhão, ante os R$ 695 milhões de 2012. De acordo com Trennepohl, deverão ser produzidas em 2013 entre 18 mil e 20 mil unidades de equipamentos contra 14 mil em 2012.

Uma das bases para o crescimento da empresa foi a aposta na agricultura de precisão, a partir dos anos 2000. Hoje a empresa detém a maior linha de máquinas agrícolas voltadas a essa modalidade e foi uma das pioneiras na comercialização de equipamentos com tecnologia embarcada, afirma Trennepohl.

A reorganização societária da companhia, em 2006, para apenas uma família no comando – a fundadora Stapelbroek que detém 99,64% das ações – marcou um período de consolidação para a empresa que surgiu em 1960. Outro grande "propulsor" do crescimento da Stara, segundo Trennepohl, foi a aquisição, em 2007, da australiana Computronics, focada em software e hardware. No início deste ano, a Stara também comprou uma empresa metalúrgica gaúcha que prestava serviço para a companhia.

A Stara mantém três unidades industriais nos municípios gaúchos de Não-Me-Toque, Santa Rosa e Carazinho. E deverá inaugurar no fim de 2015 uma nova fábrica, provavelmente em Não-Me-Toque, com 60 mil metros quadrados e capacidade para produzir 8 mil tratores por ano.

O lançamento dos primeiros tratores da companhia, com 105 cavalos de potência, será em agosto. Este ano deverão ser vendidas 200 unidades, mas a expectativa é chegar a 1,2 mil a 2 mil unidades em 2014. Além da ampliação do volume comercializado, a Stara quer fabricar tratores de maior potência, com até 600 cavalos, em 2017, quando o faturamento previsto é de R$ 2,2 bilhões.

A escolha por tratores mais potentes segue a tendência de demanda por máquinas de maior eficiência diante da escassez de mão de obra. "Vamos brigar de igual para igual", afirma Trennepohl, referindo-se aos concorrentes multinacionais. A empresa investiu em assistência técnica, distribuição nos locais mais expressivos no país e a criação do banco Stara para facilitar o acesso ao crédito.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo