SOJAAGRICULTURANOTÍCIAS – ABERTURA DE MERCADO – Irregularidade das chuvas pode atrasar ainda mais o plantio da soja no Brasil

Fonte:Fernanda Farias/Canal Rural

A semeadura do grão na temporada 2017/2018 atingiu 5,6% no Brasil, na semana encerrada em 6 de outubro. Em igual período do ano passado, o número estava em 10,4%

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a sexta-feira, dia 6, com preços mais altos. Após iniciar o dia no território negativo, o mercado se recuperou gradualmente, fechando próximo das máximas do dia.

A alta lá fora, no entanto, foi limitada pelo resultado negativo da taxa de ocupação americana em setembro. O dado sustentou o dólar e pressionou o petróleo, tirando competitividade dos produtos de exportação dos Estados Unidos.

Nesta semana o mercado permanece com as atenções voltadas para o clima norte-americano e na América do Sul para os trabalhos de colheita e plantio, respectivamente. Nos EUA, os trabalhos de campo da nova safra evoluem em um ritmo satisfatório, embora um pouco atrasados frente à média. Uma frente fria chegando ao meio-oeste para a segunda quinzena de outubro preocupa principalmente para a soja que necessita acelerar trabalhos de colheita. As produtividades registradas, até o momento, estão dentro do esperado, embasando o sentimento de uma grande produção do país, conforme projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A entrada desta grande safra naturalmente pesa sobre o mercado, impedindo ajustes positivos maiores. No entanto, sinais de demanda aquecida pela oleaginosa seguem no radar. Novas e volumosas exportações vêm sendo anunciadas, o que traz algum fôlego para Chicago.

No Brasil, a melhora climática registrada nos últimos 10 dias começa a permitir a retomada de um bom ritmo nos trabalhos de semeadura da nova safra. A chegada da umidade ao Centro-Oeste e Sudeste do país começou a regularizar a situação dos solos. As previsões indicam a continuidade das chuvas, mas já apontam para irregularidades em alguns estados nas próximas semanas. O mercado climático volta a ganhar força, apontando agora para a América do Sul.

Segundo a consultoria Safras & Mercado, o plantio do grão na temporada 2017/2018 atingiu 5,6% no Brasil, na semana encerrada em 6 de outubro. Em igual período do ano passado, a semeadura estava em 10,4%. A média para o período é de 5,3%.

No Paraná, o plantio já ocupa 20%, contra média de 17,8%. Em Mato Grosso do Sul, a área já semeada ocupa 10%, acima da média de 4,4% para o período. Em Mato Grosso, principal produtor da oleaginosa, os trabalhos estão atrasados: 5%, abaixo da média de 6,6%. 

 

Soja no mercado físico (R$ por saca de 60 kg)

  • Passo Fundo (RS): 66,00

  • Cascavel (PR): 65,30

  • Rondonópolis (MT): 61,50

  • Dourados (MS): 61,50

  • Porto de Paranaguá (PR): 71,30

  • Porto de Rio Grande (RS): 70,50

  • Santos (SP): 71,00

  • São Francisco do Sul (SC): 71,00

Soja na Bolsa de Chicago (CBOT) (US$ por bushel)

  • Novembro/2017: 9,72 (+4,00 cents)

  • Janeiro/2018: 9,83 (+4,00 cents)

Fonte: Safras & Mercado

Milho

O milho em Chicago registrou preços mais altos. O mercado estendeu os ganhos da quinta-feira, dia 5, suportado por sinais de boa demanda pelo grão norte-americano. Na semana, porém, a posição dezembro acumulou queda de 1,48%.
Os exportadores privados norte-americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 195 mil toneladas de milho a destinos não revelados, para entrega em 2017/2018.
No Brasil, o mercado registrou preços pouco alterados. O dia foi calmo na 
comercialização, com exceção de São Paulo, que esteve com o mercado mais firme, com maior procura. No geral, os produtores seguem vendendo aos poucos e mantendo o mercado abastecido, mas sem excesso. Há um risco desses produtos chegarem ao mercado entre dezembro e janeiro para liberar armazéns para a entrada da safra nova.
A expectativa para esta semana é em relação ao relatório de oferta e demanda do USDA, que será divulgado na próxima quinta-feira, dia 12. As produtividades médias das lavouras americanas até agora apontam números iguais ou superiores aos indicados pelo USDA em setembro.
O frio começa a chegar em boa parte do Meio-Oeste e pode gerar alguns 
movimentos especulativos devido à colheita lenta.

Milho no mercado físico (R$ por saca de 60 kg)

  • Rio Grande do Sul: 32,00

  • Paraná: 27,00

  • Campinas (SP): 31,00

  • Mato Grosso: 20,00

  • Porto de Santos (SP): 29,00

  • Porto de Paranaguá (PR): 28,00

  • São Francisco do Sul (SC): 29,00

Milho na Bolsa de Chicago (CBOT) (US$ por bushel)

  • Dezembro/2017: 3,50 (+0,50 cents)

  • Março/2018: 3,63 (+0,75 cents)

Fonte: Safras & Mercado

Café

O mercado brasileiro de café teve uma sexta-feira de preços firmes. O ritmo de negócios foi calmo, com o vendedor retraído, esperando por melhora nas cotações, e com o comprador também na defensiva.
A Bolsa de Mercadorias de Nova York (Ice Futures US) para o café arábica encerrou as operações da sexta-feira com preços acentuadamente mais altos. As cotações avançaram bem dando sequência ao movimento de recuperação técnica da quinta-feira, com cobertura de posições vendidas.
A sessão foi dominada por aspectos técnicos. Passou o peso tão forte com a notícia da volta das chuvas ao cinturão cafeeiro do Brasil e o mercado busca uma nova acomodação. Tecnicamente, o mercado brigou com a linha de US$ 1,30 a libra-peso, tanto que fechou exatamente neste patamar.
No balanço da semana, o contrato dezembro acumulou uma alta de 1,5%.

Café no mercado físico (R$ por saca de 60 kg)

  • Arábica/bebida boa – Sul de MG: 455-460

  • Arábica/bebida boa – Cerrado de MG: 455-470

  • Arábica/rio tipo 7 – Zona da Mata de MG: 405-410

  • Conilon/tipo 7 – Vitória (ES): 385-390

Café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) (cents por libra-peso)

  • Dezembro/2017: 130,00 (+2,80 pontos)

  • Março/2018: 130,60 (+2,85 pontos)

Fonte: Safras & Mercado

Dólar e Ibovespa

A moeda norte-americana sustentou bons ganhos na sexta-feira e fechou a semana vendida a R$ 3,16, encontrando suporte na cena externa. É que cresce a possibilidade do Federal Reserve (FED), que é o banco central dos Estados Unidos, retomar a alta de juros no país ainda esse ano, o que favorece a valorização do dólar frente às demais moedas mundiais, especialmente as emergentes.
O relatório de mercado de trabalho nos EUA reforçou esse sentimento. A queda nas vagas de trabalho já era esperada, por conta do efeito dos furacões. O que chamou a atenção foram os números de renda e salário, que foram bastante positivos. Com isso, aumenta o percentual de investidores que apostam na alta dos juros ainda esse ano, o que dá sustentação do ao dólar.
Aqui dentro, o cenário político mais tranquilo associado aos sinais de melhora na atividade e a inflação baixa jogam a favor do real em relação ao dólar e aliviam o efeito externo de alta. A entrada de recursos e a emissão externa de títulos também ajudam o real.
Nesse sentido, o mercado cambial deve buscar alguma acomodação, tendo como referência o suporte em R$ 3,10 e a resistência em R$ 3,20.
O Ibovespa encerrou com queda de 0,73%, aos 76.054,72 pontos. O volume negociado foi de R$ 7,748 bilhões.

Boi

O mercado físico do boi gordo ficou com preços estáveis na sexta-feira. Os frigoríficos seguiram relutantes, aguardando a movimentação no varejo durante o final de semana para elaborarem uma estratégia. A oferta de animais terminados continua restrita, atuando como limitadora de eventuais movimentos de queda nos preços.
O mercado atacadista também permaneceu com preços estáveis. O escoamento entre as cadeias continua lento. O que pode alterar essa dinâmica é o consumo deste final de semana que passou, que, dependendo do tamanho, pode esvaziar as câmaras frigoríficas e aumentar o volume de compras no início da próxima semana.
No resumo da semana, os preços ficaram de estáveis a mais altos. O período foi de poucos negócios na região Centro-Sul, com pecuaristas e frigoríficos na defensiva.

Boi gordo no mercado físico (R$ por arroba)

  • Araçatuba (SP): 142,00

  • Belo Horizonte (MG): 137,00

  • Goiânia (GO): 133,00

  • Dourados (MS): 137,00

  • Mato Grosso: 127,00 – 130,00

  • Marabá (PA): 129,00

  • Rio Grande do Sul (oeste): 4,20 (kg)

  • Paraná (noroeste): 139,00

  • Tocantins (norte): 127,00

Previsão do tempo

A madrugada desta segunda-feira, dia 9, é marcada por chuva forte, rajada de vento e muitas descargas elétricas desde o Paraguai até o Paraná, passando por toda a Santa Catarina e com uma chuva mais leve no norte do Rio Grande do Sul. Essa instabilidade se deve à uma área de baixa pressão atmosférica e um corredor de umidade que vem da Amazônia. Há outro sistema de baixa pressão na costa do Paraná e de São Paulo que influenciará ainda mais nas chuvas do Sul do país. É importante ressaltar que neste final de semana foram mais de 100 milímetros de chuva registrados em algumas cidades do Paraná e de Santa Catarina.

Sul

O tempo segue instável na maior parte da região Sul. Tem previsão para pancadas de chuva a qualquer hora do dia desde o norte do Rio Grande do Sul até o Paraná. Na região metropolitana de Porto Alegre tem risco para granizo e rajadas de vento de moderada a forte intensidade, assim como no noroeste gaúcho e no norte paranaense. Os maiores volumes de chuva ocorrem no oeste de Santa Catarina e do Paraná, com potencial para transtornos, como elevação do nível dos rios. As temperaturas ficam mais baixas no amanhecer em grande parte da região. Já na parte da tarde a sensação de calor retorna para o norte paranaense. Nas demais áreas do Sul, as temperaturas não sobem muito.

Sudeste

As instabilidades perdem força no estado de São Paulo, apenas no centro-leste é que tem um pouco mais de umidade e condição para chuva fraca e sem potencial para transtornos. A meteorologia indica chuva fraca também no sul e extremo nordeste de Minas Gerais e no litoral do Espírito Santo. Todas as demais áreas do Sudeste seguem com tempo firme e com temperaturas subindo rapidamente no decorrer do dia. Inclusive, no interior de Minas Gerais, a umidade relativa do ar fica abaixo do ideal na parte da tarde.

Centro-Oeste

Áreas de instabilidade provocam chuva do oeste ao norte de Mato Grosso e também na metade sul e oeste de Mato Grosso do Sul, com risco para temporais e eventual granizo na divisa com o Paraná. Nas demais áreas do Centro-Oeste a segunda-feira segue com o predomínio de sol e tempo seco. As temperaturas sobem rapidamente ao longo do dia e a umidade relativa do ar atinge valores abaixo do ideal na parte da tarde.

Nordeste

A chuva continua em pontos isolados do norte do Maranhão e avança para o norte do Piauí. Entre as praias de Pernambuco e o sul da Bahia tem muita nebulosidade e a chuva fraca ocorre a qualquer hora do dia. Mesmo com o tempo instável, o sol aparece entre nuvens e ajuda a elevar as temperaturas. Nas demais áreas nordestinas, o tempo segue firme, com pouca nebulosidade e com sensação de tempo abafado na parte da tarde.

Norte

A metade sul do Tocantins segue com tempo firme e com predomínio de sol. Nas demais áreas da região o sol também aparece, masas nuvens carregadas que se formam ao longo do dia e favorecem pancadas isoladas, acompanhadas por descargas elétricas. Os maiores volumes de chuva ocorrem no norte de Rondônia, no Acre e no interior do Amazonas.

Fonte : Canal Rural