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Soja salva balança comercial brasileira, apontam especialistas

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Consultores de mercado analisam a possibilidade de o Brasil se tornar o maior produtor da oleaginosa no mundo

Divulgação/Canal Rural

Foto: Divulgação/Canal Rural

Preço da oleaginosa atingiu patamares altos

Eraí Maggi Scheffer, conhecido como “o rei da soja”, está empolgado com a próxima safra. Vai plantar em Mato Grosso 220 mil hectares do grão, o equivalente a mais de 200 mil campos de futebol. A cultura vai tomar espaço do algodão e das pastagens e a área plantada vai crescer quase 24% em relação à safra anterior.

– É uma alta expressiva. Todos os agricultores estão animados – diz.

Em meio a uma das mais graves crises da economia global, os agricultores brasileiros se preparam para plantar a maior safra de todos os tempos, que pode levar o Brasil a superar os Estados Unidos e se tornar o maior produtor de soja do mundo. O motivo é o preço do grão, que nunca esteve tão alto. A soja voltou a ser o principal produto da pauta de exportação e está salvando a balança comercial do país.

Na sexta, dia 20, o preço da soja bateu US$ 17,57 por bushel na bolsa de Chicago, uma valorização de 15% desde o início do mês, quando uma forte seca atingiu as lavouras nos EUA. Antes desse rally, o recorde era de US$ 16,50 por bushel, marcado antes da quebra do Lehman Brothers em 2008. No porto de Paranaguá (PR), a saca (60 quilos) de soja chegou a impressionantes R$ 85,00. Em Sorriso (MT), apesar de todas as deficiências logísticas, os produtores recebiam R$ 73,50 por saca.

– Como não importamos praticamente nada, a soja é superávit na veia – afirma Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria.

No primeiro semestre, as exportações de grão, farelo e óleo atingiram US$ 15,9 bilhões, mais de duas vezes o superávit do País, que vem minguando por causa da queda dos preços do minério de ferro e da menor demanda por produtos manufaturados. A participação da soja nas exportações atingiu 13,6%, ultrapassando o minério, com 12,7%.

O rally da soja é consequência de uma das piores secas da história dos Estados Unidos. Segundo Luiz Fernando Gutierrez, analista da Safras & Mercado, a soja está na fase de floração e formação do grão nos EUA, um momento crítico para a falta de chuva. Por enquanto, quatro milhões de toneladas já foram perdidas.

– Se não chover no próximo mês, as perdas serão mais severas – aponta.

Os estoques mundiais do grão já vinham baixos desde o ano passado, quando Brasil e Argentina também tiveram prejuízos por causa do clima. Até agora, os três maiores produtores de soja perderam juntos 21 milhões de toneladas, quase 10% da produção mundial.

– É uma quebra importante. A China continua com uma fome danada e, apesar da crise, a Europa também não deixou de comer – diz Fábio Trigueirinho, secretário executivo da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

Como faltou produto, o preço disparou.

– O pessoal está rindo sozinho – admite Aroldo Gallasini, diretor-presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, de Campo Mourão, no Centro-Oeste do Paraná.

– Em 20 dias, mudou todo o cenário para a agricultura brasileira.

Supersafra

É nesse clima de otimismo que os agricultores começam a plantar a safra 2012/2013 a partir de setembro. Para a Agroconsult, a área plantada de soja vai aumentar 10%, para 27,9 milhões de hectares. Se o clima não atrapalhar, a colheita pode chegar 83 milhões de toneladas, alta de 25% sobre a temporada 2011/2012 e volume superior aos 80 milhões de toneladas previstos pela consultoria para os EUA. A Safras & Mercado estima a safra 2012/2013 em 82,3 milhões de toneladas, quase igual aos 83 milhões dos americanos.

– Se o clima continuar ruim nos EUA, o Brasil pode ultrapassar e ocupar o posto de maior produtor do mundo – diz Gutierrez.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma safra de 83 milhões de toneladas para os EUA e 78 milhões de toneladas para o Brasil. Segundo Marcos Rubin, analista da Agroconsult, o forte crescimento da produção de soja na safra 2012/2013 será uma consequência da perspectiva de rentabilidade do agricultor, que hoje é excelente. Além das cotações internacionais recordes, o setor também é favorecido pela desvalorização do câmbio, que elevou os preços recebidos em reais.

– É um bom momento, não há como negar. Os custos também subiram e boa parte da safra atual já estava vendida. Mas, sem dúvida, teremos um ritmo de crescimento chinês na próxima safra – diz Carlos Fávaro, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

A comercialização da nova safra está acelerada. Os agricultores brasileiros já venderam, em média, 35% da produção que não foi sequer plantada, porcentual superior a média de 10% desta época. Segundo Cleber Noronha, analista do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea), esse porcentual já chega a 65% em Mato Grosso.

Nos próximos anos, EUA e Brasil devem disputar a liderança global de produção de soja no mundo, mas a tendência é que os brasileiros se consolidem no topo porque, mesmo sem aumentar o desmatamento, o País ainda pode elevar significativamente sua área plantada. O Brasil ainda deve produzir outros “reis da soja” como Eraí Maggi Scheffer.

Agência Estado

Fonte: Ruralbr