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SOJA GAÚCHA | Equilíbrio entre ambiente e produção

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D os quase 1 milhão de novos hectares semeados com soja nos últimos anos no Estado, grande parte foi expandida para áreas do bioma pampa presente em 178 mil quilometros quadrados (63% do território gaúcho). A vegetação característica de campos nativos, na Metade Sul, é uma das que tiveram a cobertura original mais alterada no país em termos percentuais: mais de 50%, segundo dados do Ibama.
– A soja tem sido o grande vilão da perda da biodiversidade dos campos – aponta o biólogo Eduardo Vélez, doutorando em Ecologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Com mais de 2,5 mil espécies de vegetação herbácea, o Pampa se estende ainda pelo Uruguai e parte da Argentina, formando uma das regiões de campos temperados mais importante do planeta. Segundo Vélez, a conversão de campos em lavoura, sem nenhum controle, compromete a biodiversidade da vegetação, com a eliminação de gramíneas e leguminosas.
– Existem diferentes instrumentos que poderiam ser aplicados para que a harmonia da soja e o campo nativo fosse contruída em melhores bases. O modelo atual é trágico – avalia o biólogo.
Para conter o avanço da soja no bioma Pampa, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) elaborou normas para controlar e licenciar a conversão de campos nativos em lavouras de soja.
– O projeto prevê percentuais máximos de exploração. É um controle, não uma proibição. Queremos dar aos campos o mesmo tratamento dado às árvores da Mata Atlântica, onde é necessário licenciamento para derrubadas – explica Luís Fernando Perelló, diretor-geral da Sema.
Conforme Perelló, a minuta que será transformada em decreto de lei deverá ser encaminhada para a Casa Civil neste mês, para ser votada na Assembleia Legislativa ainda em 2014. Além da proteção do bioma Pampa, ambientalistas fazem críticas quanto ao uso exagerado de agroquímicos nas lavouras, o que contamina os recursos hídricos e o solo.

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Fonte: Zero Hora