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Soja e trigo caem ao menor patamar desde junho de 2010 em Chicago

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O ritmo acelerado do plantio de grãos da nova safra 2015/16 nos EUA fez crescer nos últimos dias o pessimismo dos fundos especulativos em relação aos preços de milho e soja, o que poderá ajudar a aprofundar as respectivas tendências de queda que mais uma vez marcaram a bolsa de Chicago em maio.

Levantamento da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostrou que os gestores de recursos ("managed money") fecharam a semana até 19 de maio com posição líquida de venda (que indica aposta na queda das cotações) de 134.740 contratos (futuros e opções) de milho em Chicago, 15,6% mais que na semana anterior.

No caso da soja, o aumento da crença baixista foi ainda maior: chegou a 79%, para um saldo líquido de 90.271 contratos vendidos. As fortes chuvas que ocorreram no Meio-Oeste dos EUA, que concentra o cultivo de grãos no país, não impediram o avanço da semeadura, que segue a todo vapor e deverá garantir mais uma colheita recorde.

Assim, apontam cálculos do Valor Data baseados nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega negociados em Chicago, o milho encerra maio (o balanço foi fechado ontem, dia 28) com queda de 4,17% em relação à média do mês anterior, ao passo que a soja cai 2,43%.

No caso do milho, é o menor patamar desde outubro do ano passado, enquanto a soja desceu ao menor degrau desde junho de 2010. Nesse mesmo degrau estacionou também o trigo – cuja queda em maio é de 1,14% -, mas no mercado do cereal há mais otimismo.

Segundo a CFTC, a posição líquida de venda do trigo brando caiu 30,3%, para 72.999 contratos, na semana terminada em 19 de maio. No mercado de trigo duro, a baixa no saldo foi de 88,3%, para 1.207 contratos vendidos. E essa mudança de humor foi influenciada pelo clima: tem crescido o temor de que o excesso de chuvas nas Grandes Planícies dos EUA, onde se concentra o cultivo do cereal no país, favoreça a proliferação de doenças. Apesar disso, a situação das lavouras tem se mantido bem melhor do que em 2014.

As confirmações de que o El Niño está se formando este ano são um combustível adicional às perspectivas de valorização do trigo, uma vez que há receios de redução da produção global, em especial na Austrália, que fica sujeita a fortes secas.

Na bolsa de Nova York, os fundos ampliaram drasticamente a crença na desvalorização do açúcar. O saldo líquido da commodity totalizou 32.025 contratos vendidos na semana até o dia 19 de maio, mais que o triplo do que na semana anterior.

Graças ao "soluço altista" do início do mês, garantido pela queda do dólar no período, a cotação média da commodity fecha maio com alta de 1,46% sobre abril. Mas, vale notar que o viés baixista já levou o açúcar ao menor nível em seis anos.

Novas projeções que apontam superávit na atual temporada 2014/15, que se encerra em setembro, além da alta do dólar perante o real (que estimula as exportações brasileiras, elevando a oferta global), foram determinantes para o mau humor dos fundos em relação à commodity.

A demanda enfraquecida e o clima favorável à produção de laranja na Flórida mantiveram os especuladores desiludidos em relação à alta do suco em Nova York. O saldo líquido vendido da bebida cresceu 14,7%, para 4.830 contratos, mas o produto ainda fecha o mês com uma leve valorização de 0,08% em Nova York.

No mercado de algodão também há alta na comparação, de 1,28%. Mas a posição líquida de compra dos gestores de recursos diminuiu 13,8% na semana até o dia 19, para 42.073 contratos.

Ignorando previsões de aumento na safra 2015/16 de café do Brasil, houve uma redução das apostas na baixa do grão, mas o preço médio na bolsa recua 4,6% em maio, conforme o Valor Data. No caso do cacau, finalmente, os gestores ficaram mais otimistas e a cotação média aumentou 7,57%. (Colaborou Fernando Lopes)

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano, Camila Souza Ramos e Fernanda Pressinott | De São Paulo