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Soja e combustíveis afetam atacado em junho, diz FGV

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O grão voltou a ficar mais caro no mercado externo, devido a problemas climáticos nos Estados Unidos, que devem prejudicar a safra

por Agência Estado

Ernesto de Souza

(Foto: Ernesto de Souza/Ed. Globo)

Os preços no atacado reduziram o ritmo de desaceleração na passagem de maio para junho devido a novas pressões vindas da soja e do reajuste dos combustíveis, segundo aFundação Getúlio Vargas. O Índice de Preços ao Produtor Amplo dentro do IGP-DI (IPA-DI) saiu de 0,91% em maio para 0,89% em junho.
"Agora estamos entrando em uma nova rodada de outros impactos. O câmbio já está na faixa de R$ 2, mas não está dando novos pulos. Pode haver algum efeito retardatário, mas, no IPA, o impacto já está quase todo absorvido", afirmou Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).
A soja voltou a ficar mais cara no mercado externo, devido a problemas climáticos nos Estados Unidos, que devem prejudicar a safra. Os preços da soja no IPA-DI subiram 6,39% em junho, após uma alta de 7,55% em maio. "A soja estava desacelerando, mas deu uma embicada nos últimos dez dias de junho. Nas regiões produtoras, a soja tem subido diariamente. Nas próximas divulgações, o grão provavelmente vai estar com taxas mais altas", previu Quadros.

A inflação do complexo soja – que inclui grão, farelo, óleo bruto e óleo refinado – saiu de 7,46% do IPA-DI de maio para 5,89% no IPA-DI de junho. Como resultado, o complexo soja respondeu por 53,94% da taxa de 0,89% do IPA-DI em junho.
Os combustíveis também ficaram mais caros no atacado, embora o reajuste de 7,83% anunciado pela Petrobras só tenha ocorrido no dia 22 de junho. Os combustíveis para consumo saíram de uma queda de 0,19% em maio para um aumento de 1,43% em junho. A gasolina já ficou 2,56% mais cara. Os combustíveis e lubrificantes para a produção saíram de uma alta de 0,48% em maio para 1,00% em junho. O óleo diesel, que teve reajuste anunciado de 3,94% pela Petrobras, subiu 1,31% no IPA-DI de junho.
"A gasolina é um dos fatores importantes para explicar porque a desaceleração do IPA está perdendo força. A prévia doIGP-M de julho vai mostrar melhor esse impacto", avisou Quadros. "A soja e os combustíveis são os ingredientes mais potentes para impulsionar o IPA." No IPA-DI, o óleo diesel tem um peso de 2,72%, enquanto a gasolina pesa 1,48%.
Outro fator que vinha ajudando na desaceleração da inflação no atacado, mas começa a perder força, é a redução nos preços dos automóveis pelos fabricantes. Os automóveis para passageiros saíram de um recuo de 1,36% em maio para uma queda de 0,90% em junho. "Esse efeito vai sair de cena. Nas próximas leituras, o automóvel vai estar zerado", afirmou o economista da FGV.

Fonte: Globo Rural