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Soja: analistas da cidade a tratam com certo descuido

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Tenho escrito aqui desde o começo. Os habitantes dametrópole, principalmente os analistas, não têm compreendido a “revolução” que acontece no campo brasileiro. Vocês se lembram daquele sojicultor dePrimavera do Leste, em Mato Grosso, Estado que é oceleiro da soja no Brasil. Vejam o que ele disse: “Os habitantes dos grandes centros urbanos ficam perplexos e não conseguem interpretar a verdadeira revolução que acontece na zona rural, seja na agricultura ou na pecuária, e que vai mudando para sempre a geografia econômica do Brasil.”

Pois é, agora, no domingo passado, dia 22, oeconomista e sócio da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, escreveu um ótimo e definitivo artigo no Estadão sobre o grande salto na produtividade dos grãos, principalmente da soja, nos últimos anos. De início, Mendonça de Barros enfatiza: “A soja é tratada com certo descuido por muitos economistas urbanos, como apenas uma simples matéria-prima ou commodity.”

Segundo ele, a soja é parte de uma cadeia muito longa, quer em termos de indústrias fornecedoras, quer em termos de processadoras. Do seu grão saem algumas centenas de produtos, alimentares e outros como obiodiesel. A soja é a principal fonte de proteína vegetal para a produção de carnes. Além da relevância do valor da produção na cadeia e da exportação, estima-se que sejam gerados mais de dois milhões deempregos diretos e outros tanto de indiretos.

Mendonça de Barros cita que, no início, a produtividade brasileira era bem inferior à americana. Já entre 2009 e 2011, o Brasil produziu a mesma coisa do que os EUA, 2,9 toneladas por hectare, graças à tecnologia. Agora o país caminha para produzir mais de 80 milhões de toneladas e ser o maior exportador mundial.

Eu acrescento que o Brasil deverá emplacar 83,1 milhões de toneladas na safra 2012/2013 e ficar no topo do ranking entre os principais produtores, superando a produção dos EUA.

Voltando a Mendonça de Barros, ele disse que o grande salto de produtividade da soja no Brasil foi devido, entre outros fatores, aos cultivares adequados às condições do país, à verdadeira revolução que foi o plantio direto, tecnologia que permite o plantio de mais de uma safra por ano na mesma terra, o que dilui custos, a mecanização, o manejo correto das pragas, e agora a integração lavoura, pecuária e floresta, que representa o grau máximo de sustentabilidade na exploração agropecuária. O analista afirma que, no caso da sojicultura, há muita ciência por trás da sua evolução. Mendonça de Barros termina assim seu texto: “É impressionante notar que um setor já líder no mercado internacional busque obsessivamente caminhos para elevar a produtividade através de grande esforço de ampliação do conhecimento. Onde está a pesquisa tecnológica e a inovação da indústria brasileira?”

Só para completar: outro analista renomado, André Nassar, do Ícone, afirmou que a produtividade no campo cresceu 4% de 2000 a 2009, enquanto a da indústria refluiu 0,8% ao ano.

Eu acabo de chegar de Sinop, região norte de Mato Grosso, o grande celeiro de grãos brasileiro, onde omilho safrinha explode em preços e a produção é recorde, acima até do colhido na “safrona” de verão. Já a soja, bem, o que vem por aí é só a maior safra da história do Brasil. Eu trouxe de lá depoimentos de vários agricultores e estou preparando uma grande reportagem para a edição de agosto de Globo Rural. Só posso adiantar que o movimento por lá é frenético.

O que os meus 10 leitores acham da revolução da soja e de outras culturas no Brasil?

Fonte: Globo Rural