São Martinho ampliou estoques e lucrou menos no 1º trimestre

O grupo sucroalcooleiro São Martinho informou ontem que encerrou o primeiro trimestre de seu atual exercício, em 30 de junho, com lucro líquido de R$ 28,3 milhões, 53,4% menos que em igual intervalo do ano-fiscal anterior. Segundo a empresa, a queda é reflexo da estratégia que adotou nesta safra 2015/16 de carregar mais estoques para obter retornos maiores ao longo da temporada.

De abril a junho, a companhia vendeu um volume 18,5% menor de açúcar e etanol (ATR equivalente) que no mesmo período do ciclo 2014/15. Mas a produção de açúcar cresceu 11,4% e a de etanol hidratado, 27,8%. Assim, a São Martinho chegou em 30 de junho com um estoque de açúcar 40% maior que há um ano. Em seus tanques, também havia um volume 54% maior de etanol hidratado e 105,9% mais anidro.

"Se o cenário é de pouca volatilidade de preços de açúcar e etanol entre os trimestres, vendemos os produtos para antecipar o fluxo de caixa. Mas, neste exercício, o retrato indica uma diferença muito grande entre os trimestres, por isso entramos com uma estratégia diferente que no ciclo anterior", afirmou ao Valor o presidente da companhia, Fábio Venturelli.

Essa estratégia comercial afetou também a receita líquida da São Martinho no primeiro trimestre – houve queda de 6,7%, para R$ 476,7 milhões. Pela mesma razão, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado ao valor justo dos ativos biológicos (canaviais) foi 0,9% menor, de R$ 225,1 milhões.

Já o Ebit ajustado, que reflete a geração operacional de caixa sem descontar a despesa financeira, caiu 12,2%, para R$ 88,8 milhões. Em igual comparação, a margem Ebit se retraiu 1,2 ponto, para 18,6%.

Com mais estoques, a companhia demandou no 1º trimestre mais capital de giro. O efeito foi um incremento da dívida líquida em 68,8%, para R$ 2,667 bilhões, frente a igual trimestre de 2014/15. A relação entre a dívida líquida e o Ebitda subiu de 2 vezes para 2,4 vezes.

Até 30 de junho, a companhia vendeu açúcar no mercado futuro a um preço médio equivalente a 49,9 centavos de real por libra-peso, levando-se em conta o hedge da commodity e do dólar (média de R$ 3,01). E o diretor financeiro da empresa, Felipe Vicchiato, lembrou que, desde 30 de junho, o dólar subiu ao menos 12% frente ao real.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor