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Smithfield faz plano para diversificar seus negócios

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Jerome Favre/Bloomberg

"Ninguém disse que somos estritamente uma empresa de carne suína", afirmou o CEO da Smithfield, Ken Sullivan

O WH Group, controlador chinês da Smithfield Foods, planeja novas aquisições de operações de carne bovina e de aves nos Estados Unidos e na Europa, uma iniciativa que intensificaria a rivalidade com frigoríficos internacionais como a americana Tyson Foods e a brasileira JBS. A expansão permitiria à Smithfield, que tem sede nos EUA e é a maior produtora mundial de carne suína, se aproximar dessas concorrentes e também de outra brasileira, a BRF.

Ken Sullivan, CEO da Smithfield,, disse à Reuters estar interessado em diversificar a empresa com outros tipos de carnes para ampliar sua linha de produtos, embora não exista nenhum negócio iminente. "Somos uma empresa de alimentos", afirmou ele. "Ninguém disse que somos estritamente uma empresa de carne suína. Ele não deu detalhes. Foi o diretor de relações com investidores do conglomerado chinês, Luis Chein, que disse que os "alvos" para a expansão estão nos EUA e na Europa.

Chein também não quis adiantar prazos para essa expansão nos EUA nem dizer quanto dinheiro a Smithfield pretende gastar na empreitada. Mas o executivo afirmou que o momento é bom para entrar no negócio de carne bovina, porque em maio a China anunciou a retomada das importações do produto americano depois de ter proibido a maior parte das remessas dos EUA desde os incidentes com a doença da "vaca louca", em 2003.

O WH, que comprou a Smithfield por US$ 4,7 bilhões em 2013, ainda tem poder de fogo para novas aquisições. No fim de 2016, a empresa tinha em caixa e em contas bancárias US$ 1,4 bilhão, além de linhas de crédito bancário não usadas de US$ 2,72 bilhões.

O interesse em aquisições também é reflexo de uma desestabilização mais ampla no setor agrícola, depois de os preços dos grãos, que estão em baixos patamares, terem desencadeado uma onda de fusões de empresas de agroquímicos e sementes pelo mundo. O baixo preço dos grãos e a forte demanda por carnes em geral ajudam a elevar as margens de lucro operacional dos produtores de carnes bovina, suína e de frango.

A indústria de carnes também viu um dos grandes nomes do mercado, a JBS, também enfrentar problemas depois da Operação Carne Fraca no Brasil, na qual fiscais agropecuária são acusados de receber propinas para permitir a comercialização de alimentos em situação irregular. A JBS também anunciou na terça-feira passada a venda de ativos na América do Sul, o primeiro negócio do qual empresa se desfez depois que seus fundadores admitiram ter subornado políticos brasileiros em troca de favores.

Contatada pela Reuters, a JBS informou na quarta-feira que suas principais operações nos EUA, incluindo a produtora de frangos Pilgrim’s Pride, não estão à venda. Qualquer aquisição de empresas de carnes bovina ou de aves representaria uma mudança de direção para a Smithfield, que vendeu sua unidade de bovinos para a JBS em 2008, por cerca de US$ 565 milhões, e uma participação no frigorífico de perus Butterball em 2010, por aproximadamente US$ 175 milhões.

A mudança, no entanto, se encaixaria nos esforços atuais da empresa para atuar em todo o processo de produção, reduzindo sua dependência em relação a produtores externos, que atualmente fornecem carne bovina e de frango à Smithfield para a elaboração de produtos como salsichas.

Chein disse que "o rumo certamente" é repetir em outros tipos de carnes o modelo de integração vertical de suas operações com carne suína. A Smithfield é dona da maior parte dos suínos que abate, assim como das instalações de processamento. "Para nós, o próximo passo para desenvolver nossos negócios é considerar outras fontes de proteína animal", afirmou o executivo.

No mercado bovino, o WH Group preferiria comprar ativos como abatedouros e unidades de processamento para se expandir, enquanto no segmento avícola a empresa vai estudar todos os tipos de operações na cadeia de abastecimento, segundo Chein. Ele acrescentou que o grupo enxerga grande espaço de crescimento para o consumo de carne bovina e de aves na China. Em 2016, havia 808 abatedouros nos EUA supervisionados pelo governo federal, cerca de 35% menos do que em 1990, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). (Tradução de Sabino Ahumada)

  • Por Tom Polansek e Julie Zhu | Reuters, de Chicago e Hong Kong
  • Fonte : Valor