Sistema incentiva reúso de embalagens de agrotóxicos por meio de integração e campanhas itinerantes

Só no ano passado, mais de 4,4 milhões de embalagens recolhidas no Rio Grande do Sul foram destinadas corretamente

por Leandro BeckerEnviar correção

19/05/2015 | 05h11min

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Sistema incentiva reúso de embalagens de agrotóxicos por meio de integração e campanhas itinerantes ZH/

Giruá é a central que mais mais recebeu embalagens no Estado durante o ano passadoFoto: ZH

Criado para ser a ponte entre agricultores, indústria e canais de distribuição, o Sistema Campo Limpo ampliou em quase 24,7% a quantidade de embalagens de agrotóxicos destinada corretamente no país desde 2011. No Rio Grande do Sul, o salto foi de 36,9%, o resultado mais expressivo entre os cinco Estados que, juntos, representam 67,9% do total recolhido.

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A estrutura gaúcha inclui 36 postos de recebimento e nove centrais — no Brasil, são 302 postos de recebimento e 113 centrais. Com investimento de R$ 1,2 milhão, a última central no Estado foi inaugurada em novembro passado em Boa Vista do Incra, no Noroeste. Só de janeiro a abril de 2015, o Estado teve crescimento de 12% na destinação de embalagens em relação ao mesmo período de 2014.

— Essa expansão se deu diante da ampliação na área de soja, ao aumento na fiscalização, a campanhas de coleta itinerante e à conscientização crescente do produtor. Esperamos que avance mais em 2015, uma vez que a safra foi chuvosa e teve alta ocorrência de doenças na soja, demandando maior uso de agroquímicos — pondera Marcelo Lerina, coordenador de operações do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), que representa a indústria de agroquímicos e coordena o sistema, que é financiado por mais de cem empresas do setor.

Estrutura maior até o fim do ano

Lerina cita as campanhas itinerantes, com caminhões percorrendo regiões em que não há centrais ou postos de recebimento, como decisivas para o sucesso do programa, uma vez que facilitam o acesso do produtor. Dentre as ações realizadas, cita o projeto coordenado pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e empresas associadas, que visita anualmente 2,3 mil pontos de coleta no Estado e em Santa Catarina.

— A divulgação prévia dos roteiros antecipadamente facilita a logística dos produtores e acelera o processo. Tudo isso faz com que o sistema se expanda, e os produtores tenham mais opções para fazer a devolução — ressalta.

Segundo Lerina, a meta é que sejam criados no Estado pelo menos mais dois postos de recebimento em 2015, em Nonoai e Ijuí. As unidades devem estar operando até o fim do ano. Também estão previstas palestras e ações de mobilização para disseminar orientações e estimular uma participação ainda maior:

— A ideia é que todos os comerciantes tenham material de orientação para entregar no momento da compra, como acondicionar embalagens e fazer tríplice lavagem, por exemplo. Assim, quem nunca entregou aprende o modelo correto e aqueles que já participam recebem um reforço nas instruções, em um processo contínuo e compartilhado de evolução.

Fonte: Zero Hora